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Brasileiro e mexicano disputam final na OMC

Escolha do diretor-geral chega à última etapa com o pior cenário, segundo o Itamaraty: Azevêdo contra Hermínio Blanco

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2013 | 02h05

Pela primeira vez, um brasileiro vai à final na disputa pelo cargo de diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas o escolhido - Roberto Azevêdo - terá de enfrentar o candidato apoiado pelos países ricos, o mexicano Hermínio Blanco. Países desenvolvidos tentarão barrar a eleição de um brasileiro apoiando um nome latino-americano, mas com uma visão mais próxima de seus interesses. A final contra o México era tudo o que o Itamaraty não queria.

Seja quem for o vencedor, a realidade é que, pela primeira vez na história, uma das três organizações que formam o pilar da gestão da economia mundial - FMI, Banco Mundial e OMC - será dirigida por um latino-americano, um pleito que a região defendia há décadas.

Mas Azevêdo e Blanco representam visões e alianças diferentes, tanto da região quanto sobre o papel do comércio no desenvolvimento. A disputa, agora, não será apenas entre dois nomes. Mas entre duas visões de comércio exterior e, de quebra, pela hegemonia comercial na América Latina.

O processo começou no início do ano, com nove candidatos. Até ontem, cinco ainda estavam no páreo. Mas um neozelandês, um sul-coreano e uma indonésia acabaram eliminados ontem por terem o menor número de votos. O eleito será anunciado em meados de maio e substituirá o francês Pascal Lamy no segundo semestre.

Apesar de a final ser disputada entre dois latino-americanos, ela reflete uma vez mais uma disputa entre países ricos e emergentes. O mexicano, preferido dos países ricos, não hesita em criticar a política comercial brasileira, com o objetivo claro de manchar a candidatura de Azevêdo e mostrar que o brasileiro não seria uma opção para a OMC, que precisa fechar a Rodada Doha.

Já Azevêdo vem adotando um discurso diferente. Insiste que, se eleito, não adotará a visão do governo brasileiro e será um "diretor-geral de todos". Ele percorreu mais de 80 países em busca de votos e representa, para muitos, a linha de pensamento que aponta o comércio como vetor ao desenvolvimento, com espaço para que governos adotem estratégias de política industrial. Ou seja, uma certa cautela na liberalização comercial. Com esse discurso, tem o apoio dos Brics e de dezenas de países emergentes.

Blanco é o preferido tanto dos EUA quanto de parte substancial da União Europeia. Nesta semana, o bloco europeu indicou que apoiaria os dois nomes latino-americanos. No bloco, há quem prefira Azevêdo, como Portugal. Mas, ainda assim, o Estado apurou que o primeiro na lista da Europa foi Blanco.

Diplomatas brasileiros admitiram que a final contra o mexicano era o pior cenário esperado. Isso porque, além do apoio da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o México faz parte de alianças do Pacífico, como a Apec. Agora, o temor é de que o México convença toda a região a votar em Blanco.

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