Brasileiro gasta R$ 2,6 bi em sites gringos

Pesquisa do PayPal revela que 5,3 milhões de consumidores fizeram compras em sites internacionais num período de 12 meses

NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2013 | 02h06

A variedade de produtos e o preço mais baixo fizeram 5,3 milhões de brasileiros gastarem R$ 2,6 bilhões em sites internacionais, no período de 12 meses terminados em maio. Os números, presentes na pesquisa Rota das Especiarias (encomendada pelo Paypal à Nielsen), revelam um comportamento que tende a crescer bastante em cinco anos. A estimativa é de que o montante desembolsado por consumidores do Brasil salte para R$ 16, 8 bilhões em 2018.

Donos de cartão internacional, com renda alta e conhecimentos em inglês, esses usuários acessam os sites estrangeiros para comprar principalmente artigos de informática e componentes eletrônicos, segundo o estudo. Os principais destinos desse público são o eBay, onde 44% dos entrevistados pela Nielsen fizeram suas compras, seguido de Amazon (39%) e DealExtreme (18%).

Depois dos eletrônicos, roupas, sapatos e acessórios são os itens mais procurados - mesmo diante da impossibilidade de experimentar as peças antes. Para driblar a distância, há sites que recebem as medidas do consumidor por e-mail e prometem entregar a roupa no tamanho desejado.

A designer gráfica Jessica Carvalho, de 22 anos, negociou o vestido de formatura com vendedores chineses pelo site eBay. "Vi um vestido bonito num anúncio de perfume e mostrei para minha mãe. Aí começamos a fazer a busca na internet e ela encontrou o mesmo modelo no site." A peça saiu por cerca de US$ 200 - mais uma taxa de cerca de R$ 100 que ela teve de pagar para a Receita liberar o produto, que ficou retido durante cerca de 10 dias.

Jessica foi atraída por fatores que as lojas virtuais brasileiras dificilmente conseguem bater. Os sites americanos e chineses têm uma oferta imensa de produtos em todas as categorias, segundo o diretor geral do PayPal para a América Latina, Mario Mello. "A quantidade de produtos nesses sites é exponencialmente maior."

Ao lado dessa oferta está o preço mais baixo, mesmo considerando as possíveis taxas que o produto pode sofrer ao chegar ao Brasil. No estudo, 84% dos 1.026 entrevistados disseram comprar em sites estrangeiros por encontrarem lá os artigos desejados a um valor mais em conta.

Luciano Soncini, analista de suporte técnico, compra de tudo em sites do exterior há pelo menos cinco anos: DVDs de filmes, jogos, roupas, perfumes, componentes eletrônicos. "Há lançamentos de jogos para o PlayStation que custam R$ 200 aqui. Lá fora, saem por R$ 100."

Mobilidade. A pesquisa do PayPal também revela que a compra de produtos estrangeiros por meio de tablets deve movimentar 59% mais daqui a cinco anos. O salto deve ser de R$ 36 milhões em 2013, para R$ 3,67 bilhões, em 2018. No caso dos smartphones, o aumento será de 44%, de R$ 32 milhões para R$ 1,95 bilhão.

Os valores gastos por brasileiros em compras nos sites estrangeiros equivalem a 11,5% do faturamento do e-commerce brasileiro, que movimentou R$ 22,5 bilhões no ano passado, segundo dados da consultoria e-bit.

De outro lado, o dinheiro gasto por estrangeiros em sites brasileiros também deve aumentar, segundo o estudo. Ao todo, até o fim deste ano, serão mais de 88 milhões de estrangeiros consumindo em sites brasileiros, o que deve movimentar R$ 1,5 bilhão. Até 2018, este montante alcançará os R$ 4 bilhões.

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