Brasileiro lança ‘rede social de coisas’

Diego Zambrano está chamando a atenção de investidores nos EUA com serviço de classificados que divulga anúncio apenas para conhecidos

LIGIA AGUILHAR, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2013 | 02h09

Há seis anos em Nova York, o designer brasileiro Diego Zambrano mora apenas com sua esposa, mas diz ter mania de cozinhar o suficiente para alimentar umas dez pessoas. Para não desperdiçar as sobras, trocou com dois amigos parte do jantar por uma caneca e um pacote de bacon. Para isso usou o Bondsy, aplicativo para o sistema iOS lançado por ele há uma semana e que já é apontado nos Estados Unidos como o "eBay da era Instagram."

A ideia do Bondsy é ser uma "rede social de coisas" e permitir a qualquer pessoa vender um item que não queira mais em troca de dinheiro ou outra coisa, como um jantar ou um abraço. O formato é bastante similar ao do Instagram. O usuário publica a foto do produto, descreve a forma de pagamento e compartilha com suas conexões. O interessado faz uma oferta pelo aplicativo e, se a proposta for aprovada, as partes combinam dia, horário e local para fazer a troca. O serviço é gratuito - o Bondsy não cobra para intermediar a negociação.

O que diferencia o Bondsy de um classificados tradicional é que as informações são compartilhadas apenas entre amigos e amigos de amigos. Mas o que tem feito o aplicativo atrair usuários é o estímulo a outras formas de pagamento além do dinheiro. "A ideia de um produto ser pago com qualquer coisa tira o estresse envolvido na cobrança e torna as pessoas mais criativas", diz Zambrano. "Mesmo quando estabelecem um valor em dinheiro, percebemos que as pessoas colocam também outras formas de pagamento baseadas na troca, porque querem ter uma nova experiência."

Algumas das ofertas mais criativas já propostas foram a troca de pacotes de café por bacon, um PlayStation por uma caixa de picolés e o envio de uma carta escrita à mão por outra.

O negócio conquistou investidores conhecidos no mercado americano, como os fundos Thrive Capital, Betaworks e um grupo de sete investidores privados. No ano passado, a startup recebeu o apoio e investimento da TechStars, uma das mais conceituadas aceleradoras dos EUA. "Acho que as pessoas já estavam vendendo seus produtos pela internet, mas ninguém havia organizado e melhorado a experiência como o Bondsy", diz Zambrano.

Com um visual marcado por uma barba cultivada sem cortar há quase quatro anos e uma carreira bem-sucedida no mercado publicitário, com passagens por empresas como a Ogilvy, R/GA, o designer teve a ideia de criar o Bondsy quando recebeu uma proposta para trabalhar nos EUA, em 2007.

Decidido a embarcar com apenas uma mala pequena, criou uma página no Flickr para negociar a venda de todos os seus pertences. "Em vez de dinheiro, muitos ofereceram em troca dos produtos pagar uma cerveja ou um jantar", diz. Em 2011, depois de criar uma rede de contatos, afiar o inglês e conseguir visto de permanência, deixou a carreira para empreender.

Atualmente, o Bondsy tem cinco funcionários que trabalham em um escritório no Brooklyn, em Nova York. O foco inicial da startup é formar uma base sólida e numerosa de usuários para só então definir o modelo de negócio.

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