Brasileiro não poupa por falta de renda

Falta de renda. Esse é o principal motivo que leva a população brasileira a poupar pouco. Uma pesquisa, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em conjunto com o Ibope, veio sacramentar esta realidade. O estudo, realizado entre os dias 18 e 21 de maio, mostra que apenas 27% da população brasileira possui algum tipo de investimento.A maioria dos entrevistados (82%) aponta a insuficiência de renda como o principal motivo para deixar de lado as aplicações financeiras. Praticamente todo o salário é usado para pagar as necessidades básicas da família. A superintendente técnica da Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Ilona Beer, concorda com a pesquisa da CNI, e afirma que os baixos índices de investimento estão relacionados aos baixos salários. Ela diz que a população em geral sente vontade de poupar, porém, não dispõe de uma sobra de caixa suficiente para isso. Para o presidente Associação Brasileira dos Analistas de Mercado (Abamec), Antônio Carlos Colângelo Luz., o crescimento do volume de investimentos dependente de uma melhor distribuição da renda. Segundo Colângelo, a pequena faixa que poupa é a mesma que ganha salários altos. Poupança virou sinônimo de precaução Entre os motivos apontados por que faz algum tipo de investimento, mais da metade dos entrevistados (54%) afirma que poupa para se prevenir no futuro contra doenças ou desemprego. Uma pequena fatia (8%) investe o dinheiro para ter um complemento à aposentadoria. São poucas as pessoas (23%) que ainda investem para realizar os seus sonhos, como abrir um negócio, viajar, comprar um carro etc.O presidente da Abamec concorda com o resultado e lembra que o desenvolvimento da economia depende muito do incentivo à poupança. Segundo Colângelo, os países desenvolvidos possuem altos índices de poupadores. Países como Estados Unidos e Inglaterra são bons exemplos, conclui. Confisco não é mais problema Depois do confisco instituído pelo Plano Collor, parte da população que via as aplicações como uma maneira segura e rentável para guardar o dinheiro, passou a desacreditar desse fato. Dez anos se passaram, e o brasileiro tem uma característica muito peculiar: memória curta. Por isso, os analistas acreditam que o pesadelo Collor não seja mais um "bicho-papão". A superintendente técnica da Abecip lembra que o dinheiro confiscado já voltou para o bolso do brasileiro, que não tem mais traumas em investir.

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