Brasileiro prefere dinheiro vivo

Cartão de crédito ou débito não é usado pela maioria

Isabel Sobral, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2008 | 00h00

Apesar da recente popularização dos cartões de crédito e débito, cada vez mais usados como forma de pagamento, a maioria da população brasileira ainda prefere o dinheiro em espécie. É o que revela a pesquisa O brasileiro e sua relação com o dinheiro, divulgada ontem pelo Banco Central (BC). Além disso, segundo o estudo, 55% dos entrevistados informaram que recebem seu salário em dinheiro. Na Região Nordeste, esse número sobe para 70%.Dos trabalhadores questionados, 29% responderam que, embora tenham os rendimentos mensais depositados em conta, sacam o dinheiro nas agências ou em caixas eletrônicos para fazer suas operações. Do total das despesas mensais, a pesquisa revelou que 77% são pagas em dinheiro. Os cartões de crédito respondem por 11% das operações, seguidos pelos cartões de débito, com 8%. Segundo o chefe do Departamento de Meio Circulante do BC, João Sidney Figueiredo, há setores da economia em que é mais comum o uso de dinheiro em espécie, como a remuneração por serviços domésticos e locais onde prevalece a economia informal - o que pode explicar a preferência. "Além disso, a estabilidade econômica e a redução dos juros também contribuem para isso", disse Figueiredo. Essa foi a segunda pesquisa do tipo encomendada pelo BC, que também ouviu os brasileiros sobre conservação, hábitos de uso de cédulas e moedas e itens de segurança do dinheiro. O Instituto Datafolha, responsável pela sondagem, ouviu 2.041 pessoas em 26 capitais e no Distrito Federal ao longo do mês de outubro do ano passado. A primeira pesquisa foi feita em 2005.PEQUENOS GASTOSO pagamento em dinheiro é mais utilizado nas despesas de menor valor, como gastos em padarias e mercadinhos. Na medida em que sobe o valor da compra - caso de eletrodomésticos, roupas e calçados -, cresce o uso de meios eletrônicos. Segundo a pesquisa do BC, 64% dos entrevistados apontaram um gasto médio em dinheiro de até R$ 500. O BC usará as respostas para definir ações e políticas. Figueiredo anunciou, por exemplo, um aumento na produção de cédulas de R$ 2 e de R$ 5, sem revelar a quantidade. O BC também pedirá à rede bancária que aumente a disponibilidade dessas notas para o público. Ele revelou ainda que deverão ser colocadas em circulação, até o fim do ano, 400 milhões de moedas de R$ 1. Atualmente, há 900 milhões dessas moedas em circulação, mas essa quantidade seria insuficiente para atender o comércio. Ainda segundo o BC, são gastos em média R$ 140 milhões por ano com a substituição de notas desgastadas e outros R$ 40 milhões para produzir novas cédulas. Em 2007, o BC colocou 1,7 bilhão de cédulas em circulação (incluindo novas e substituição). A previsão para este ano é de que o número chegue a 1,9 bilhão. Segundo o estudo, 63% dos entrevistados costumam guardar o dinheiro na carteira, local considerado adequado para preservar as notas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.