Brasileiro quer lucrar com papel para cigarro

Empresário Renato Volonghi aposta no sucesso de produto criado em 2006, que já foi eleito o melhor papel de enrolar cigarro do mundo

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

08 de fevereiro de 2014 | 19h17

 

SÃO PAULO - A decisão do Uruguai de legalizar a produção, distribuição e venda da maconha, e do Estado americano do Colorado, que aprovou a venda de até 28 gramas por pessoa maior de 21 anos, acendeu no empresário brasileiro Renato Volonghi uma ponta de inquietação. Depois de lançar no mercado mundial em 2006 a primeira "seda" (papelzinho para enrolar tabaco ou outras substâncias) produzida com celulose regenerada e aspecto de plástico, ele se prepara para expandir o negócio nos dois novos paraísos da erva. (Veja no vídeo abaixo como a seda é fabricada)

Na primeira semana de março ele embarca para um giro que começará em Montevidéu e terminará em Denver. A estratégia é fazer primeiro uma escala no país vizinho para ver se os fumadores de lá aceitariam trocar os tradicionais papéis. "Vamos começar com 125 mil unidades."

No caso dos EUA, os planos são mais ousados: enviar 1,2 milhão de unidades. Para isso, Volonghi vai usar uma rede de distribuidores que conheceu depois que adquiriu os direitos de venda da "Blunt Wrap" no Brasil. O produto, um papel com sabor e aspecto de charuto, é feito na República Dominicana e vendido em toda América Latina e EUA.

A história da marca aLeda começou em 2006, ano em que bombou no YouTube o vídeo Tapa na Pantera, com 5,7 milhões de visualizações. No filme, a atriz Maria Alice Vergueiro interpreta uma maconheira que diz: "Eu fumo no cachimbo porque o que faz mal é o papelzinho".

 

A ideia também surgiu sob inspiração da cannabis. Conta Volonghi que um belo dia surgiu em sua casa um amigo com um baseado enrolado em algo que parecia celofane. Depois de muita pesquisa, descobriu que o papel era produzido por uma fábrica de celulose e usado para embalar bombom. "A fábrica me mostrou todos os componentes. Toda química era retirada através de banhos."

Vendeu um carro para os R$ 20 mil da primeira produção e encomendou 28 quilos, vendidos em três dias úteis. "Quando fui comprar uma tonelada em menos de um mês, comecei a desenvolver o papel e a exigir aprimoramentos." A empresa de papel faliu, e ele passou a produzir na China. O segundo passo foi montar uma segunda empresa para cuidar da produção internacional e registrar a marca em outros países.

"A Smoking foi a pioneira no mundo (no mercado de sedas). Já existiam a Colomy e a Trevo, mas eram papel de queima rápida. Nosso consumidor usa papel de queima lenta." Do lançamento até hoje, a aLeda, segundo seu fundador, faturou US$ 10 milhões. O marca passou a frequentar as principais feiras tabagistas e eventos de música eletrônica, e foi eleita pela High Life Barcelona o melhor papel de enrolar do mundo. 

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