Brasileiro quer TVs maiores e 'smart'

Imagem conectada. Cresce a procura por televisores com acesso à internet, telas com mais de 46 polegadas e melhor qualidade de imagem; aplicativos e serviços para TVs conectadas transmitem conteúdo diretamente da web, sem necessidade de fazer downloads

Camilo Rocha, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2013 | 02h07

O aparelho de televisão ideal do brasileiro é grande, conectado à internet e com tela de alta definição. É o que apontam representantes do mercado com quem o Link conversou. Os números sustentam as afirmações: vende-se cada vez mais telas acima de 46 polegadas e televisores que acessam a internet. Tecnologias LED e Full HD já são praticamente padrão.

Conhecidas como smart TVs, ou TVs conectadas, os televisores com acesso à internet usam a rede Wi-Fi da casa e levam um pouco da experiência da internet para a tela grande, por meio de aplicativos de serviços de internet (como o YouTube ou Netflix) ou por um navegador.

"O consumidor quer deixar de ser passivo", diz Luciano Bottura, gerente de comunicação e marketing da Sony Brasil. "A TV conectada traz mais conteúdo e entretenimento."

A praticidade é sentida pelos consumidores que adotaram o formato. O economista Rodrigo Saback, que tem uma TV com acesso à internet, diz que a compra "valeu muito a pena", apesar de uma dificuldade inicial para configurar o Wi-Fi. "Precisei de algumas visitas da assistência técnica para resolver", diz Saback. "Hoje gosto da possibilidade de baixar aplicativos diretamente nela e a praticidade de acessar tudo de maneira rápida, inclusive arquivos em meu computador, sem a necessidade de cabos."

Esse tipo de televisão está ampliando a participação tanto nas ofertas das empresas quanto nas vendas no varejo. "Nossa participação de televisores 'smart' mais do que dobrou em dois anos", diz Julio César Trajano Rodrigues, diretor comercial da rede Magazine Luiza.

"Um dia, todas as TVs serão conectadas", diz André Sakuma, gerente de produto para a área de TV da Samsung, que deve ter um aumento de 30% nas vendas desse tipo de televisor. A LG estima que 70% dos seus modelos à venda em 2013 terão acesso à internet, segundo Fernanda Summa, gerente de marketing de entretenimento doméstico da empresa.

Avaliações independentes confirmam o avanço. A consultoria GFK diz que o número de TVs conectadas vendidas em maio deste ano é 25,3% maior que no mesmo mês em 2012. Uma pesquisa de fevereiro da CVA Solutions revela que 85% dos brasileiros querem uma TV desse tipo na próxima compra.

"Há uma combinação de disponibilidade maior de modelos com interesse do consumidor. O uso das mídias sociais, a quantidade de aplicativos que vêm nessas TVs estimulam muito esse mercado", diz Alex Ivanov, diretor de negócios responsável pela área de consumo eletrônico da GFK.

A possibilidade de conseguir comprar uma TV do tipo é maior hoje. Há modelos de 32 polegadas que custam em torno de R$ 1.200. Entre modelos maiores, há muitas opções na faixa dos R$ 2.000.

Imagem. A procura por aparelhos cada vez maiores é a outra grande tendência apontada por todos os entrevistados pelo Link. No tempo da TV de tubo, até os anos 1990, a televisão de 29 polegadas era referência de tela grande. Com o advento das telas planas, primeiro plasma, depois LCD e LED, o padrão de 42 polegadas foi considerado imponente por bastante tempo pelo consumidor.

Agora, o significado de "grande" é ter pelo menos 46 polegadas. Segundo dados da Sony, o mercado de telas com este tamanho ou mais deve crescer 50% em 2013, enquanto que para a empresa o número chega a 80%. Dos sete novos tamanhos de tela lançados pela Sony este ano, quatro são de 46 polegadas para cima (47, 50, 60 e 70).

Os limites de tamanho das telas grandes continuam sendo expandidos. LG e Sony têm hoje as maiores TVs do Brasil, a LM9600 e a XBR-84X905, ambas com 84 polegadas (mais informações nesta página). A Samsung, cujo maior modelo no País é de 75 polegadas (ES 9000), lançará uma TV de 85 polegadas no segundo semestre.

Eventos esportivos como a Copa das Confederações, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 impulsionam a procura por telas maiores, na avaliação dos entrevistados. Na outra ponta, as telas menores têm perdido espaço. Ivanov, da GFK, diz que as telas de até 32 polegadas tinham 43% do mercado em 2012. Hoje, representam apenas um terço.

As tecnologias que fazem as telas terem cada vez mais nitidez também evoluíram. A última palavra de qualidade de imagem é o chamado 4K ou Ultra HD, que permite uma resolução horizontal e vertical duas vezes maior do a de alta definição (Full HD). Os televisores da LG e da Sony de 84 polegadas são os primeiros modelos 4K a chegar ao Brasil. Ambos foram lançados no fim de 2012. A Samsung promete TVs 4K para este semestre, enquanto LG e Sony devem lançar mais modelos com a tecnologia.

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