Brasileiro teme mais a inflação que a violência

Instituto Ipsus pesquisou os fatores capazes de tirar o sono do brasileiro. 26% disseram temer a alta dos preços

Marcelo Rehder, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

A volta da inflação assusta mais o brasileiro hoje que a violência urbana, o desemprego e a situação da saúde pública, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsus para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O questionário incluía a pergunta "o que faria você perder o sono?". Do total de mil entrevistados, 26% escolheram a alternativa "a volta da inflação", enquanto 23% assinalaram "a violência urbana" e outros 20%, "o desemprego". Para 10%, o que assusta mais é "a saúde pública" . Já outros 7% temem mais "o aumento de novas taxas e impostos".

Os resultados da pesquisa mostraram ainda que o medo da volta da inflação é maior entre os brasileiros acima dos 45 anos que entre os mais jovens. "Quem viveu aqueles tempos de hiperinflação sabe como é bom viver sem ela, enquanto os mais jovens não têm essa percepção", diz o economista André Rebelo, assessor para assuntos estratégicos da presidência da Fiesp.

Na avaliação por faixa etária, a volta da inflação é o principal fator de temor para 39% dos entrevistados com mais de 60 anos. Na faixa entre 45 e 59 anos, 34% dos entrevistados deram a mesma resposta. Já entre 35 e 40 anos, 25% temem o desemprego em primeiro lugar, enquanto 23% assinalaram "a volta da inflação". O medo de ficar desempregado, assinalado por 28% dos entrevistados, é a principal preocupação também entre os entrevistados com idade entre 25 e 34 anos. Para aqueles com idade entre 16 e 24 anos, o que mais tira o sono hoje é a violência, citada por 27% dos entrevistados.

A Fiesp incluiu a mesma questão em uma pesquisa feita em janeiro de 2008, antes de a crise financeira mundial chegar ao País, e quando a economia brasileira ainda crescia a um ritmo bastante forte e a inflação estava em níveis baixos e sob controle.

Não por acaso, o medo do desemprego foi o mais citado, por 42% dos entrevistados, enquanto a preocupação com a inflação se restringia a apenas 13%.

"A volta da inflação, naquela época, não metia medo em ninguém, da mesma forma que hoje o desemprego deixou de ser a principal fonte de preocupação", frisa Rabelo. "O medo da volta da inflação passou a dominar a maior parcela dos brasileiros, justamente porque a taxa acumulada em 12 meses saiu de 4% para 6%."

Na avaliação do economista, a trajetória da inflação nos próximos meses será cadente. "Provas disso é que já faz sete semanas que a pesquisa Focus, do Banco Central, está revendo para baixo a inflação no fim do ano."

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