Brasileiros concordam em parte com críticas de alemães

Empresários, acadêmicos e políticos brasileiros concordam apenas parcialmente com as críticas que os colegas alemães fizeram ao Brasil no Fórum Econômico Brasil-Alemanha, quarta-feira, em São Paulo. "A necessidade de reforma tributária é consenso entre todos. Mas, em vários aspectos, as críticas visam apenas os interesses deles", disse o diretor-executivo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mario Mugnaini.Os representantes do setor privado na comitiva do chanceler alemão, Gerhard Schroder, afirmaram que, do ponto de vista de atração de investimentos, o Brasil ainda tem sérios problemas nas áreas tributária, de propriedade intelectual, de direitos de transferência e de proteção a investimentos.O ministro alemão da Economia, Werner Muller, disse que o fato de o Brasil não ter ainda ratificado o Acordo para a Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos, de 21 de setembro de 1995, é um dos maiores entraves ao aumento dos investimentos alemães no Brasil, sobretudo para as empresas de médio porte.Apesar do consenso sobre a necessidade de reformas, Mugnaini afirmou que algumas das reclamações dizem respeito apenas aos alemães. "A questão do preço de transferência é a que mais os incomoda, porque eles são obrigados a importar a preços altos para depois exportarem seus produtos", disse o empresário.Para Mugnaini, no entanto, não há nada melhor para impulsionar os negócios do que trazer empresários estrangeiros para ver e ouvir de brasileiros como está a economia do País. "Essas visitas são muito produtivas e funcionam muito para fomentar investimentos", disse. O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), professor Antonio Corrêa de Lacerda, disse que a reclamação dos alemães sobre a não-ratificação do Acordo para a Promoção e Proteção Recíproca de Investimentos é, na verdade, uma reivindicação particular, já que eles querem proteção contra o risco de investir no Brasil. "Mas risco é risco, quem tem de assumir é a própria empresa que investe", disse.

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