Carlos Barria/Reuters–24/3/2009
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Coluna

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Brasileiros deixam US$ 1 bi em Miami

Cerca de 500 mil brasileiros visitaram a região no sul da Flórida em 2010, liderando as compras feitas por turistas estrangeiros

Mimi Whitefield do Miami Herald, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

De repente, tudo parece estar virando brasileiro. O presidente Barack Obama visitará o Brasil em sua primeira viagem sul-americana em março e o País é maior parceiro comercial da Flórida. Os brasileiros também compram imóveis de luxo à beira-mar e apartamentos no centro de Miami, investindo em tudo - de imóveis ao Burger King - e fazendo compras vorazmente.

É como se uma "nuvem de gafanhotos" baixasse no sul da Flórida, abocanhando barganhas de Dadeland a Sawgrass Mills (centros comerciais), diz uma operadora de turismo. "A tendência atual é todo mundo vir para comprar, comprar e comprar", diz Cláudia Menezes, da Pegasus Transportation, que opera uma frota de ônibus para tours convencionais e também excursões para compras, muito populares entre os brasileiros. "Eles compram de tudo, de cremes de US$ 10 na Victoria"s Secret até produtos Louis Vuitton e Prada."

Uma prova do consumismo brasileiro: quando os ônibus da Pegasus levam brasileiros ao aeroporto para seus voos de volta para casa, diz Cláudia, a empresa precisa atrelar reboques aos ônibus para carregar as compras.

Para trazer esse público, a American Airlines oferece hoje 52 voos semanais para o Brasil com saída do Aeroporto Internacional de Miami (MIA, na sigla em inglês).

"O Brasil está quebrando todo tipo de recorde", diz Rolando Aedo, vice-presidente sênior de marketing do Greater Miami Convention and Visitors Bureau (GMCVB). "Tem sido nosso mercado especial."

Quando os números de 2010 forem computados, o condado de Miami-Dade espera ter estendido o tapete de boas-vindas a mais de 500 mil visitantes brasileiros, que terão gasto mais de US$ 1 bilhão. Isso colocaria o Brasil no primeiro lugar entre os visitantes internacionais, destronando o Canadá, eterno líder.

Durante os anos do boom do petróleo, os venezuelanos eram lendários por seus "dame-dos" (dê-me dois) e há muito que os latino-americanos amam comprar no sul da Flórida. Mas o que distingue os brasileiros é a quantidade de gente e o fato de serem grandes gastadores. Para atender à multidão brasileira, o GMCVB publicou guias de compras, mapas e outros materiais em português.

Embora o Aeroporto Internacional Hollywood, em Fort Lauderdale, não tenha voos diretos para o Brasil, o número anual de visitantes brasileiros ao condado de Broward County aumentou 50%, para 300 mil pessoas, no ano passado. O Brasil figura agora como o segundo mercado externo mais importante de Broward, depois do Canadá.

Visitas familiares. Os brasileiros também viajam para visitar parentes. O Broward County, especialmente a área de Pompano Beach/Lighthouse Point, abriga o maior contingente de residentes brasileiros no Estado. O consulado brasileiro em Miami estima que há entre 250 mil e 300 mil brasileiros vivendo na Flórida. A maior concentração está nos condados de Broward, Miami-Dade e Orlando.

O que está causando essa invasão brasileira? A economia do País está em franca expansão e deve se tornar a quinta maior do mundo em 2016. O desemprego atingiu um de seus menores índices. E, mais importante, o real está fortalecido em relação ao dólar, o que torna as compras na Flórida mais acessíveis.

Passar uma semana no sul da Flórida é, com muita frequência, mais barato para um morador de São Paulo que passar férias no Nordeste brasileiro. "Os imóveis estão muito caros no Brasil neste momento, inacessíveis para muitas pessoas", diz Cláudia Bacelar, brasileira que trabalha como corretora de imóveis no escritório da Esslinger-Wooten, em Coral Gables.

Edgardo Defortuna, presidente e diretor executivo da imobiliária Fortune International, diz que um apartamento de três dormitórios em Jade Ocean, em Sunny Isles Beach, que sai por US$ 1,6 milhão, poderia custar US$ 2,5 milhões em Belo Horizonte, por exemplo.

Favorita. Há, ainda, outra explicação para o grande interesse dos brasileiros: eles simplesmente gostam da região. "A Flórida sempre foi uma favorita - o clima tropical e as praias com o benefício das compras e, agora, é claro, tudo isso está muito mais acessível", diz Cláudia Bacelar. "Eu vejo como os brasileiros fazem compras e fico chocada."

No Dolphin Mall, perto do Aeroporto Internacional de Miami, por exemplo, os brasileiros são os principais turistas internacionais, tendo superado os venezuelanos pela primeira vez no ano passado, diz Madelyn Bello Calvar, diretora de patrocínio e marketing. "E eles tipicamente gastam cerca de três vezes mais que os consumidores locais", diz ela.

No Sawgrass Mills, Marcos Freire, o gerente-geral adjunto, observa com satisfação quando compradores falando português inundam o shopping e ônibus estacionam cheios de turistas brasileiros usando camisetas iguais.

Pesquisas do shopping mostram que os brasileiros são os compradores internacionais mais numerosos, seguidos por colombianos e canadenses. E Freire afirma: "Os brasileiros estão bem à frente".

Como compradores, diz ele, os brasileiros são extremamente exigentes em termos de marca, descarregando seus cartões em produtos Nike, Adidas e Tommy Hilfiger. Também compram televisores, videogames e tecnologia de ponta.

Eles sabem se virar no varejo americano, diz Freire, que é carioca. "Esses compradores já fizeram sua lição de casa e sabem o que querem." Cláudia Menezes, cuja empresa oferece tours para compras que param no Sawgrass, diz que, normalmente, os grupos brasileiros pedem algum tempo para ficar na praia, Orlando ou os Everglades, e um dia para compras. "Agora, temos alguns grupos que vêm por quatro ou cinco dias só para comprar", diz ela. "Neste ano, pela primeira vez, tivemos tours para compras até na Black Friday (início da temporada natalina)". / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

Invasão tupiniquim

CLÁUDIA MENEZES

PEGASUS TRANSPORTATION

"A tendência atual é todo mundo vir para comprar, comprar e comprar"

ROLANDO AEDO

VICE-PRESIDENTE DO GMCVB

"O Brasil está quebrando todo tipo de recorde. Tem sido nosso mercado especial."

CLÁUDIA BACELAR

CORRETORA DE IMÓVEIS

"A Flórida sempre foi uma favorita pelo clima tropical e as praias, e agora, é claro, está muito mais acessível."

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