Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Brasileiros depositam R$ 7,1 bilhões a mais do que retiram na poupança em junho

Foi o terceiro mês de captação positiva, após três meses de saques superiores a depósitos, resultado ocorre na esteira da volta do pagamento do auxílio emergencial

Fabrício de Castro , O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2021 | 11h46

BRASÍLIA - Em meio à segunda onda da pandemia do novo coronavírus, os brasileiros depositaram R$ 7,1 bilhões na poupança em junho a mais do que o que foi retirado, informou o Banco Central na terça-feira, 6.  

Foi o terceiro mês de captação positiva para a poupança após três meses de saques superiores a depósitos. O resultado ocorre na esteira da volta do pagamento do auxílio emergencial para uma parcela da população.  

Em junho, os aportes na poupança somaram R$ 296,4 bilhões, enquanto os saques foram de R$ 289,3 bilhões. Esse movimento gerou o depósito líquido total de R$ 7,1 bilhões no mês. Considerando o rendimento de R$ 2,2 bilhões da caderneta em junho, o saldo total das contas chegou a R$ 1,030 trilhão.

Junho foi o terceiro mês de 2021 em que houve mais depósitos do que saques na poupança. Nos meses de janeiro, fevereiro e março, os brasileiros haviam retirado recursos da caderneta.

No acumulado de janeiro a junho, a população retirou R$ 16,540 bilhões líquidos da caderneta. Em 2020, em meio à pandemia do novo coronavírus, a poupança havia registrado dez meses consecutivos de depósitos líquidos (de março a dezembro).

No ano passado, a caderneta havia sido favorecida pelo pagamento de auxílios à população. Além disso, ela foi impulsionada em 2020 pela maior cautela das famílias brasileiras. Preocupadas com a renda futura e com medo do desemprego, muitas delas reduziram gastos e passaram a aplicar recursos na caderneta, o que elevou o saldo. Esse movimento foi o que o próprio BC chamou de “poupança precaucional”.

Em contrapartida, as famílias passaram a enfrentar, no início de 2021, as tradicionais despesas de início de ano (IPTU, IPVA, matrículas de filhos em escolas particulares e gastos com material escolar), além de um ambiente ainda negativo para a economia. Nos primeiros meses do ano, o governo não pagou o auxílio, o que também afetou os saldos.

Tudo isso favoreceu os saques na poupança em janeiro, fevereiro e março, com muitos brasileiros precisando de recursos para fechar as contas.  

Em abril, maio e junho, porém, o resultado positivo foi influenciado pela volta do pagamento do benefício para uma parcela da população. Os depósitos começaram a ser feitos em 6 de abril.

A poupança é remunerada atualmente pela taxa referencial (TR), que está em zero, mais 70% da Selic (a taxa básica de juros), hoje em 4,25% ao ano. Na prática, a remuneração atual da poupança é de 2,975% ao ano. O porcentual não cobre necessariamente a inflação.  

Essa regra de remuneração da poupança vale sempre que a Selic estiver abaixo dos 8,50% ao ano. Quando estiver acima disso, a poupança é atualizada pela TR mais uma taxa fixa de 0,5% ao mês (6,17% ao ano). 

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