Jonathan Ernst/Reuters
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Brasileiros do fundo 3G negociam compra da Kraft

Segundo o 'WSJ', donos da Ambev estariam em negociações avançadas para fechar a aquisição da gigante de alimentos, em transação de US$ 40 bi

O Estado de S.Paulo

25 de março de 2015 | 02h05

A empresa de investimentos 3G Capital, dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, está em negociações avançadas para comprar a gigante americana de alimentos Kraft Foods, num negócio que pode movimentar cerca de US$ 40 bilhões. As informações foram reveladas, ontem, por uma fonte ao 'Wall Street Journal'. O acordo, segundo essa mesma fonte, deve ser anunciado em breve.

No ano passado, o 3G Capital levantou US$ 5 bilhões para fazer novas aquisições e, desde então, tem sido alvo de especulação sobre qual será seu próximo alvo. Em janeiro, fontes do mercado chegaram a falar de uma possível negociação com a Pepsico, que vale em torno de US$ 140 bilhões - aquisição que seria feita em "partes", dado o tamanho da companhia. Além da Kraft, outras empresas que estariam na mira do fundo seriam a fabricante das sopas Campbell e a Kellog.

O fundo 3G Capital já comprou outro símbolo americano do mercado de alimentos, a fabricante de molhos Heinz, em um negócio de US$ 28 bilhões fechado em fevereiro de 2013. A compra teve a participação do megainvestidor americano Warren Buffett, que comanda a companhia Berkshire Hathaway. Buffett se aproximou de Lemann no fim dos anos 90, quando ambos participavam do conselho de administração da Gillette.

Conhecidos por fazerem ajustes agressivos nas empresas que assumem, os brasileiros do 3G chegaram a demitir mais de mil funcionários da Heinz depois que compraram a fabricante.

Símbolos americanos. A rede de lanchonetes Burger King, outro símbolo dos Estados Unidos, também pertence ao fundo capitaneado pelos brasileiros desde outubro de 2010. Mais recentemente, o 3G adquiriu a rede canadense Tim Hortons e fundiu as duas empresas. Com as duas marcas, o 3G passou a controlar a terceira maior empresa de fast-food global, atrás de McDonald's e KFC.

Para ficar com a Kraft, fontes de mercado acreditam que o fundo terá de desembolsar algo em torno de US$ 40 bilhões, já que a companhia está valendo hoje na bolsa aproximadamente US$ 37 bilhões.

A fabricante é dona de marcas conhecidas no mercado americano como a linha de frios Oscar Mayer e a de café Maxwell House. No ano passado, a receita da Kraft ficou estável em cerca de US$ 18 bilhões, enquanto o lucro líquido caiu 62%, para US$ 1 bilhão. Parte dessa retração é resultado do aumento de custo da matéria-prima. A empresa tem lutado nos últimos anos para crescer em meio à mudança de hábito do consumidor.

A Kraft passou por uma cisão em 2012. As marcas de chocolates, biscoitos, goma de mascar, doces, cafés e bebidas em pó da empresa, incluindo as marcas Trident e a brasileira Lacta, foram reunidas em uma empresa que passou a se chamar Mondelez International, com atuação em 80 países. A Kraft, agora alvo da 3G, ficou com a divisão de frios, queijos e mercearia, com atuação nos Estados Unidos. / Agências Internacionais

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