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Brasileiros estão entre os mais investigados na Suíça

Dados da Polícia Federal do país apontam que nacionalidade é a 3ª mais processada por crimes financeiros

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

26 de maio de 2009 | 15h37

Os brasileiros estão entre os mais investigados e processados na Suíça por lavagem de dinheiro. Os dados são da Polícia Federal suíça que alerta que, em 2008, os brasileiros foram a terceira nacionalidade mais processada no país por crimes financeiros.

 

A Suíça é conhecida por seu sistema de sigilo bancário e por ter um terço de toda a fortuna privada do mundo em seus cofres, cerca de US$ 7 trilhões. Pressionado, o país vem sendo obrigado a iniciar investigações sobre lavagem de dinheiro e corrupção.

 

A evasão fiscal, porém, continua protegida e está gerando um amplo debate no país. Segundo os dados da Policia Federal do país, 115 casos de lavagem de dinheiro foram processados em 2008. O Brasil respondeu por 6% dos casos, superado apenas pelos italianos e pelos próprios suíços.

 

Os casos envolvendo brasileiros são superior aos processos de lavagem de dinheiro em relação à máfia russa ou os cartéis de droga da Colômbia. Nigéria e outros países africanos

também tem menos casos que o Brasil.

 

No Brasil, a Operação Suíça e as Operações Kaspar 1 e 2 identificaram uma série de irregularidades na transferência de recursos de brasileiros para o UBS e para o Credit Suisse. No final do ano passado, o Estado revelou como doleiros trabalhavam dentro dos escritórios do Credit Suisse, situado na Avenida Brigadeiro Luis Antônio, em São Paulo.

 

Em Genebra, os bancos estão processando seus ex-funcionários por terem sido os autores de supostos vazamentos de informações sobre o funcionamento do bancos no Brasil e em outros países. Nos Estados Unidos, o UBS foi acusado de ter colaborado na lavagem de milhões de dólares.

 

Há menos de uma semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda aproveitou um discurso na Turquia para empresários para pedir mais uma vez o fim dos paraísos fiscais no mundo.Os dados oficiais apontam para um aumento no número de acusações de lavagem de dinheiro na Suíça. No total, as denúncias chegaram a uma marca recorde em 2008, com 851 casos. Os casos envolveram a lavagem de dinheiro de US$ 1,5 bilhão.

 

Os suíços garantem que a grande parte das denúncias vem dos próprios bancos locais, que não querem confusões com clientes. Pela lei suíça, os bancos são obrigados a informar sobre

atividades suspeitas. 67% dos casos identificados pela polícia foram denunciados pelos bancos.

 

Mas, na realidade, a situação é diferente. Os bancos identificados por processos na Justiça tem duas opções: cooperar e sair do caso como um aliado da polícia, ou ser identificado

como suspeito de ter colaborado para a lavagem de dinheiro. No ano passado, seis banqueiros suíços foram condenados por terem ajudado fiscais de renda no Rio de Janeiro a lavar dinheiro de corrupção. Suas penas, porém, foram leves.

 

A polícia ainda identificou quase cem casos de denúncias de corrupção no exterior, com dinheiro encontrado nos bancos suíços.

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