Brasileiros estão otimistas, mas devem gastar menos

Crédito mais caro por causa das medidas macroprudenciais adotadas pelo governo tem inibido o consumo

Sabrina Valle / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

Os consumidores brasileiros estão seguros e otimistas em relação às perspectivas de emprego e renda para 2011, mas não estão dispostos a expandir o consumo no mesmo ritmo do ano passado. O motivo para o freio é o encarecimento do crédito, segundo pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), que reúne sete indicadores para antecipar o potencial de vendas do comércio, registrou alta de 2,2% entre junho e julho. Em relação a julho de 2010, o índice se manteve praticamente estável (+0,1%).

Para o economista da CNC Fábio Bentes, embora os resultados sejam positivos, a pesquisa mostrou reflexos das medidas macroprudenciais do governo na expansão do consumo. "O crédito se tornou um empecilho para um crescimento mais vigoroso do consumo", disse. "O consumidor está mais cauteloso." O economista lembra que o crédito está mais caro, com prazos menos longos e pode apresentar prazos mais curtos até o fim de 2011. A CNC ainda prevê um ano com números positivos tanto no mercado de trabalho quanto no consumo. "Os resultados só não vão ser tão favoráveis quanto no ano passado, que foi um ano excepcional", disse.

A previsão de vendas no ano deve ficar em 6,5%, contra 10,9% no ano passado. Já para as vendas de bens duráveis é projetada alta de 9% a 10%, abaixo dos 16% de 2010.

Este último item é um termômetro para o crédito por englobar produtos comumente comprados a prazo, como geladeiras, fogões e máquinas de lavar. No mês, houve queda de 1,1% no momento para aquisição de bens duráveis, contra julho do ano passado. Outro item ligado a crédito, a compra a prazo, recuou 2,1% na mesma comparação. A satisfação das famílias com o consumo atual também caiu 2,7%.

Bentes diz que a taxa de juros média cobrada do consumidor no maior patamar dos últimos dois anos (46,8%) está influenciando o comportamento na hora das compras. Mostra disso é a queda de 6,8% nas perspectivas de consumo apontada pelos entrevistados para os próximos meses, um dos sete itens que compõem a pesquisa.

O que tem segurado o índice é o mercado de trabalho. A satisfação com o emprego corrente subiu 5,3% em julho na comparação anual e a perspectiva profissional, 7,3%. São esperados 2 milhões de novos empregos formais no ano, menos do que os 2,5 milhões de 2010, mas ainda assim um resultado considerado muito bom. A CNC diz que embora o ritmo de criação de postos venha sendo, em média, 20% menor do que em 2010, apenas 13,1% dos entrevistados se mostraram menos seguros em relação a emprego.

Sazonalmente, o mercado de trabalho melhora no segundo semestre por conta das vendas de fim de ano, acrescenta Bentes. A indústria começa a contratar já em junho e julho, e o comércio, em agosto, setembro e outubro.

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