Brasileiros gastam US$ 2,3 bilhões em viagens internacionais em maio

Nem a Copa do Mundo ocorrendo no Brasil foi suficiente para reverter o déficit da conta de viagens; estrangeiros gastaram apenas US$ 531 milhões em viagem ao País no mês antes do evento

Yolanda Fordelone, O Estado de São Paulo

24 de junho de 2014 | 10h59

SÃO PAULO - Nem mesmo a Copa do Mundo ocorrendo no Brasil foi suficiente para reverter o déficit da conta de viagens internacionais em maio, mês que antecedeu o evento. Estrangeiros, que já vinham chegando ao País desde maio, gastaram US$ 531 milhões no Brasil, enquanto brasileiros desembolsaram US$ 2,266 bilhões em viagens internacionais. Com isso, o saldo ficou negativo em US$ 1,7 bilhão em maio.

Em relação a maio de 2013, o saldo negativo foi 2,1% maior. Os gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior tiveram alta de 2% e as despesas de viajantes estrangeiros ao Brasil cresceram 1,8%.

De janeiro a maio, as receitas com estrangeiros soma US$ 1,8 bilhões e as despesas no exterior, US$ 10,5 bilhões.

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Efeito Copa. Nas duas últimas semanas de maio, estrangeiros já começaram a chegar no Brasil para assistir a Copa, mas em número menor do que o que foi recebido em junho. Nas divulgações de junho e julho o que se espera é que a conta registre um grande aumento dos gastos de turistas.

O Banco Central já identificou em junho um aumento das receitas em dólares com gastos de turistas estrangeiros que vieram ao País para os jogos da Copa do Mundo. Dados parciais (até 18 de junho) do BC mostram um crescimento de 24% das receitas com viagens internacionais (que concentram principalmente gastos com pagamento com cartão de crédito). As receitas no período somam US$ 365 milhões, para despesas de brasileiros no exterior de US$ 1,105 bilhão. No período, o déficit soma US$ 739 milhões. 

"Dados preliminares apontam efeito da Copa", avaliou o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel. Segundo ele, o impacto maior da Copa na conta de viagens do balanço de pagamentos do País com o exterior se dará em julho. Maciel evitou, no entanto, fazer previsões se o aumento das receitas dos estrangeiros que vieram para a Copa permitirá um superávit no mês. Os gastos com viagens internacionais têm pressionado as contas externas. Até maio, os gastos são recordes em US$ 7,635 bilhões. O déficit de maio - de US$ 1,735 bilhão - é recorde para o mês. Em junho, até o dia 18 as despesas com viagens caíram 11%.

Para Maciel, a realização da Copa no Brasil deve ajudar no aumento do turismo no País no futuro e contribuir para o incremento das receitas com viagens internacionais. 

"A exposição do País e das suas belezas naturais é um marketing considerável e tende a influenciar positivamente as receitas de turismo no futuro", disse. Segundo ele, mesmo os estrangeiros que não vieram ao País estão vendo o Brasil nas matérias sobre a Copa. "As belezas estão sendo vistas por bilhões de pessoas no mundo e isso tende a influenciar o País no futuro", afirmou. 

Serviços. A conta de viagens faz parte do balanço de serviços, que registrou déficit de US$ 4,5 bilhões no mês. A conta de serviços, por sua vez, faz parte das contas externas, que tiveram tiveram déficit de US$ 6,6 bilhões, o maior já registrado para meses de maio. O Balanço de Pagamentosque inclui as constas externas e a conta capital, teve superávit de US$ 1,7 bilhão em maio.

(Com Adriana Fernandes e Victor Martins, da Agência Estado)

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