Brasileiros já pagaram R$ 1 trilhão em impostos no ano

Segundo a projeção do IBPT, o Impostômetro encerrará o ano com a marca de R$ 1,2 trilhão em tributos arrecadados

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 00h00

A carga tributária precisará ser discutida pelo próximo governo, segundo avaliação de especialistas. Ontem, o Impostômetro, painel eletrônico instalado em frente da Associação Comercial de São Paulo, ultrapassou R$ 1 trilhão de tributos arrecados pelos governos - o valor é suficiente para a compra de 40 milhões de carros populares. Em 2009, essa marca só foi atingida em 14 de dezembro. A expectativa é de que, até o fim do ano, o total pago em impostos alcance a cifra de R$ 1,2 trilhão.

Na opinião dos analistas, o próximo governo terá de ao menos promover alguns pontos da reforma e a consequente redução de impostos. "Independente de quem ganhar (a eleição), espero que o futuro governo tenha vontade política para fazer essa reforma tão necessária para o País", afirma João Eloi Olenike, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), órgão responsável pelo cálculo do Impostômetro.

Pela projeção do instituto, o peso da carga tributária em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) deverá encerrar o ano em 35,57%, alta de 0,7 ponto porcentual na comparação com 2009. "O cálculo foi realizado com base em um PIB projetado de R$ 3,587 trilhões", diz Olenike.

Um dos grandes erros apontados pelo executivo é que a tributação está concentrada, principalmente, na produção, faturamento e salário. "Essa base precisa mudar", afirma Olenike.

Para Vagner Jaime Rodrigues, sócio da Trevisan Outsourcing, falta "vontade política" dos governantes para a aprovação de uma reforma tributária. "Uma reforma séria deixará o Brasil mais competitivo no exterior e poderá promover uma distribuição de renda no País", diz.

Rodrigues lamenta que os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) não tenham discutido com profundidade a questão tributária. "Nenhum deles apresentou uma proposta real. O assunto só foi discutido de forma superficial."

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