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Brasileiros lotam free shops uruguaios

Rivera, que faz fronteira com a gaúcha Santana do Livramento, atrai cerca de 10 mil turistas por fim de semana aos seus 50 free shops

Glauber Gonçalves /RIO e Letícia Gloria, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2011 | 00h00

Cores, perfumes e a empolgação de estar em outro país. Esses são alguns dos atrativos de Rivera, terceira maior cidade uruguaia, que fica a um passo dos gaúchos. Mas o que realmente tem feito crescer o número de visitantes brasileiros no local são os cerca de 50 free shops espalhados pelas ruas.

Em um fim de semana comum, o município atrai em média 10 mil turistas ávidos por levar de volta na mala eletrodomésticos, eletrônicos, bebidas e perfumes. Em feriados prolongados, o número de brasileiros chega a 30 mil. Na chamada "Noite Mágica", em que as lojas prometem descontos de até 50% no mês de dezembro, estiveram na cidade 45 mil pessoas.

O movimento, porém é diferente do que ocorre em direção ao Paraguai. Nas lojas francas das cidades uruguaias, o fluxo não é de excursões de sacoleiros, mas de famílias que percorrem até 800 quilômetros em seus próprios automóveis em busca de preços baixos.

Fronteira da Paz é o nome dado às cidades-irmãs Rivera e a brasileira Santana do Livramento. Num lugar onde o limite geopolítico consiste em um Parque Internacional e uma rua, a vida é muito diferente do que se pode imaginar. Boa parte da população é "doble-chapa", ou seja, tem as duas nacionalidades. São famílias inteiras formadas pela união entre riverenses e santanenses.

Para chegar a Rivera, turistas de diversas partes pegam a estrada ou o avião, a partir de Porto Alegre. A cada fim de semana, o posto da Polícia Rodoviária Federal na BR-158, entrada na cidade, vê passar carros com placas que vão desde as vizinhas Bagé e Santa Maria, da capital do Estado, das cidades serranas e até mesmo de municípios catarinenses.

Rivera, entretanto, não é o único destino de compras nas proximidades.

Ao longo da fronteira Brasil-Uruguai, há free shops em Rio Branco, Chuy, Aceguá, Artigas e Bella Unión. O dólar em conta, aliado à renda da população em alta, tem sido o principal responsável por engrossar o fluxo rumo às cidades fronteiriças.

O movimento, que antes afetava negativamente apenas os municípios brasileiros localizados na borda do País, já está impactando no varejo de cidades de médio porte e até Porto Alegre, aponta o economista Alfredo Meneghetti, da Fundação de Economia e Estatística (FEE), órgão vinculado ao governo gaúcho.

"O deslocamento é muito forte, partindo especialmente de municípios médios e da capital, onde há grande concentração de famílias de classe média e média alta, que são justamente aquelas que podem pegar a estrada rumo à Rio Branco, Chuy ou Rivera", afirma.

Metade do preço. Os protagonistas das compras em Rivera são os aparelhos de ar condicionado, mas as opções são vastas e chegam a custar a metade do preço praticado no Brasil. Além desses equipamentos, os cobiçados iPads, iPhones e videogames como Wii e XBox chamam a atenção dos turistas. A diferença de preço, no entanto, não ocorre na mesma escala dos Splits.

No ramo das TVs, o objeto de desejo é o modelo de LED, cujo item de 32 polegadas sai por US$ 999 - aproximadamente R$ 1,8 mil, quase o preço encontrado em ofertas na web. Já câmeras fotográficas Sony de 12 megapixels podem ser compradas por US$ 160. Celulares LG, Samsung e Sony Ericsson - quadriband, desbloqueado, com câmera, Wi Fi e televisão - partem de US$ 80. Por US$ 49, é possível adquirir um rádio para carro com entrada USB.

Bebidas. As bebidas também são populares. Os uísques chegam a custar metade do preço. O Chivas Regal 12 anos, por exemplo, é vendido no Brasil a R$ 95. Em Rivera, a promoção com quatro garrafas sai por US$ 109 dólares, perto de R$ 190. Há também edições especiais - como o Johnny Walker King George V, vendido em média a R$ 1,4 mil no Brasil, sai pela "bagatela" de US$ 400 em Rivera.

A vantagem se estende aos vinhos importados, licores, energéticos e bebidas exóticas. Os vinhos chilenos podem ser comprados a partir de US$ 3, enquanto os espumantes franceses partem de US$ 5. O legítimo champanhe sai por US$ 57 a garrafa.

Os preços baixos, garantidos pela isenção de impostos, porém, não são o único chamariz dos free shops. Outra facilidade tem sido as condições de pagamento: 60% estão comprando com o cartão de crédito e com parcelamento.

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