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Brasileiros mudam de hábito para gastar menos

Vale desde trocar o restaurante por outro mais barato até deixar de ir ao cabeleireiro para cortar cabelo em casa

MÁRCIA DE CHIARA /SÃO PAULO, DANIELA AMORIM / RIO , O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2012 | 03h02

Faz dois meses que o vendedor Milton Ney Guedes, de 27 anos, deixou de comer fora aos domingos com a mulher e a filha. "Meu orçamento ficou mais apertado", disse ele, que decidiu cortar os gastos com restaurante para ter uma folga e conseguir pagar o carro que comprou financiado em 48 vezes. Com renda mensal de R$ 2 mil, ele, que tem casa própria, desembolsa cerca de R$ 1 mil com a prestação do carro. "Já paguei seis prestações e não tenho nenhuma em atraso."

Apesar de ter cortado a despesa com restaurante aos sábados e domingos, durante a semana ele não tem outra opção e come fora diariamente. Com vale-refeição de R$ 15 que recebe da empresa na qual trabalha, Guedes conta que gasta R$ 12 pelo prato comercial. "Notei que desde o começo deste ano os preços das refeições nos restaurantes pararam de subir."

Já o representante comercial João Silvestre Nani Alves, de 37 anos, considera que os preços das refeições estão "próximos do limite". Ao contrário de Guedes, ele acha que os valores cobrados continuam subindo. Alves contou que, para equilibrar as finanças e contrabalançar os gastos com impostos no começo do ano (IPTU e IPVA), tem procurado nos últimos tempos ir três ou quatro dias por semana a restaurantes mais baratos para poder se dar ao luxo de frequentar um restaurante japonês, geralmente mais caro, no fim de semana.

Também o farmacêutico Daniel Tonin sentiu na pele o encarecimento dos serviços e precisou mudar de hábitos. Ele trocou o restaurante de comida por quilo onde almoçava por outro que serve pratos feitos pela metade do preço.

Tonin também mudou de salão de cabeleireiro três vezes no último ano, em busca de um serviço mais barato. "Eu pagava R$ 50 para cortar o cabelo em um salão em Ipanema, na zona sul do Rio. Depois, mudei para outro que cobrava R$ 30, debaixo do meu prédio. Dois meses depois, peguei uma indicação de outro salão com uma amiga, em Botafogo, que cobrava R$ 17", disse o farmacêutico.

Mas, fazendo as contas, Tonin viu que valia a pena comprar uma máquina de aparar o cabelo e preferiu passar a cortá-lo ele mesmo em casa.

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