Brasileiros preferem receber salário em dinheiro, diz pesquisa

Dinheiro é mais utilizado para pagamento de dívidas de menor valor, como gastos em padarias e mercadinhos

Isabel Sobral, Agência Estado

12 de março de 2008 | 12h58

Mais da metade da população brasileira recebe seus salários em dinheiro e prefere essa forma de pagamento para quitação de dívidas e realização de compras, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 12, pelo Banco Central (BC). De acordo com a pesquisa, 55% dos entrevistados responderam que recebem o salário mensal em dinheiro e esse porcentual sobe para 70% nos estados da região Nordeste do País.   Veja também:    Emprego industrial sobe 2,8% em janeiro e salários crescem   Segundo o chefe do Departamento de Meio Circulante do BC, João Sidney Figueiredo, a existência de alguns setores da economia onde é mais utilizado o dinheiro em espécie - como a remuneração por serviços domésticos e locais onde prevalece a economia informal - explica a preferência pelo uso do dinheiro. "Além disso, a estabilidade econômica e a redução dos juros também contribuem para isso", completou.   Um porcentual de 29% disse que embora recebam por meio de depósitos em conta corrente retiram o dinheiro por meio de saques nas agências ou em caixas eletrônicos para realizar operações. A utilização de meios eletrônicos de pagamentos (como cartões de crédito e débito e tickets refeição) é maior entre as pessoas das classes A e B.   O dinheiro é mais utilizado para o pagamento de dívidas de menor valor, como gastos em padarias e mercadinhos. Conforme sobe o valor da compra, como, por exemplo, eletrodomésticos, roupas e calçados, diminui o percentual de consumidores que pagam em espécie.   Essa foi a segunda vez que o BC encomendou a pesquisa O brasileiro e sua relação com o dinheiro que ouviu 2.041 pessoas, em outubro do ano passado, contemplando todas as 26 capitais e o Distrito Federal na amostragem. A primeira foi realizada em 2005.   Notas de R$ 5 e R$ 2     O chefe do Departamento de Meio Circulante do BC, João Sidney Figueiredo, anunciou que o banco vai produzir mais cédulas de R$ 2 e de R$ 5, sem revelar quantidades, e também deverá trabalhar com a rede bancária para que aumente a disponibilidade dessas notas à população.A pesquisa indicou que as pessoas gostariam de ter mais acesso a cédulas desses valores e uma parte até aceitaria ter esses valores em moedas. "O que derruba a idéia de que os brasileiros não gostam de levar moedas", comentou.   Figueiredo revelou ainda que o BC deverá colocar em circulação até o final do ano uma quantidade de 400 milhões de moedas de R$ 1. Atualmente, há 900 milhões em circulação. A pesquisa revelou que as pessoas sentem falta de moedas de R$ 1. O técnico do BC informou ainda que o órgão gasta por ano em média R$ 140 milhões para substituir notas desgastadas pelo uso e outros cerca de R$ 40 milhões para produção de novas. "Cerca de 80% do nosso gasto é com substituição, daí a importância de reforçar à população alertas sobre a boa conservação do dinheiro", declarou. O tempo médio de durabilidade das cédulas varia de 12 meses a três anos, a depender do valor e do grau de velocidade de circulação das notas. Em 2007, o BC colocou uma quantidade de 1,7 bilhão de cédulas em circulação (incluindo novas e substituição) e a previsão este ano é que o número chegue a 1,9 bilhão. Já em relação às moedas, foram colocadas pelo BC no ano passado 1,1 bilhão e este ano a previsão é de 1,25 bilhão de novas moedas.

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