Brasileiros sem moradia adequada somam 54 milhões, diz Ipea

Desigualdades regionais no acesso à habitação permanecem evidentes; região Norte tem os piores dados

Redação,

21 de outubro de 2008 | 15h33

Mesmo com as melhorias nas condições habitacionais observadas nos últimos 15 anos, ainda existem no Brasil cerca de 54,6 milhões de pessoas com condições de moradia inadequadas, o que correspondia a 34,5% da população urbana em 2007. O dado foi extraído da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007 e divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na quinta de uma série de divulgações pormenorizadas das estatísticas. A divulgação desta terça-feira, 21, teve como temas Saneamento Básico e Habitação.   Em 1992, o porcentual da população urbana com condições inadequadas de moradia era 49,3%, segundo o estudo. As desigualdades regionais no acesso à moradia adequada ainda são bastante evidentes, com os indicadores de adequação da moradia do Sudeste e do Sul superando largamente os indicadores das outras 3 regiões. As piores condições de moradia em termos relativos encontram-se entre os moradores da região Norte.   O Ipea destacou, no entanto, que o Brasil já conseguiu alcançar em 2007 a meta do milênio relativa ao acesso à água potável nas áreas urbanas, prevista para 2015. Segundo os dados, existe água canalizada de rede geral no interior do domicílio de 91,3% dos moradores em cidades. O instituto pondera, no entanto, que às vezes as médias nacionais podem mascarar a existência de desigualdades regionais e sociais. "É possível verificar que a meta da água para as áreas urbanas foi alcançada para 4 das 5 macrorregiões do país, à exceção da Região Norte", exemplificou.   O Ipea também destacou que houve em 2007 aumento de 3 pontos porcentuais na proporção da população urbana com acesso à rede coletora de esgoto em relação ao ano anterior, "o maior aumento ocorrido nos últimos 15 anos, passando de 54,4% em 2006 para 57,4% da em 2007".   Aluguel   Segundo o Ipea, o porcentual da população urbana que sofre com o ônus com aluguel teve um ligeiro aumento em relação aos valores observados em 2006, que era de 3,2%. De acordo com o instituto, isso mostra que "a moradia ficou relativamente menos acessível financeiramente para a população no último ano, acompanhando uma tendência crescente desde 1992".   De acordo com os dados, Brasília ficou no topo das dez principais regiões metropolitanas brasileiras que mais sofrem com o problema do ônus com aluguel. Nada menos que 6,9% dos moradores da capital federal comprometem mais de 30% de sua renda mensal com o aluguel. A taxa supera os níveis de São Paulo (4,9%) e do Rio de Janeiro (4,5%). Na análise regional, a população que mais sofre com o ônus excessivo com o aluguel está concentrada na região Sudeste (3,1 milhões), exatamente a mais densamente povoada do país.   De acordo com o comunicado do Ipea, os dados evidenciam uma escassez relativa de moradia para aluguel e uma pressão sobre a terra e a moradia nessas áreas, "o que se reflete em valores mais altos para os alugueis e os preços dos imóveis".   Além do ônus excessivo do aluguel, os dados comprovaram altos índices de outros problemas na área da habitação, como o adensamento excessivo, a coabitação familiar e a proliferação de assentamentos precários.   (com Agência Estado)

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