Brasileiros têm US$ 93,243 bilhões no exterior

O capital total que os brasileiros têm no exterior somou no ano passado US$ 93,243 bilhões, um valor 12,76% superior ao de 2003 (US$ 82.692 bilhões), segundo um relatório divulgado hoje pelo Banco Central. O valor corresponde a quase a metade da dívida externa brasileira, que é de aproximadamente US$ 198 bilhões. O crescimento do capital brasileiro no exterior no ano passado foi levemente inferior ao registrado em 2003, quando os recursos superaram em 14,33% os US$ 72,325 bilhões de 2002. Os dados fazem parte do chamado "Censo dos capitais brasileiros no exterior", que o organismo emissor realiza desde 2001 com base em declarações feitas pelos contribuintes e que inclui todo tipo de ativos, desde investimentos diretos até negócios bolsistas e depósitos bancários. Segundo o Banco Central, o número de pessoas jurídicas e físicas que declarou ter recursos no exterior aumentou de 10.622 em 2003 para 11.245 no ano passado, dos quais 80% se referia a empresas. Do total, 74,21% dos recursos que os brasileiros têm no exterior é de investimentos diretos, ou seja, em empresas e outros projetos produtivos. De acordo com o censo, o total dos investimentos brasileiros diretos no exterior subiu de US$ 54,892 bilhões em 2003 para US$ 69,196 bilhões no ano passado, um crescimento de 26%. Os brasileiros declararam ter US$ 54,027 bilhões em empresas no exterior das que possuem um investimento superior a 10%. Dinamarca é principal destino A maioria destes recursos se concentrou em empresas do setor terciário (US$ 51,720 bilhões). Essas empresas estão registradas principalmente em paraísos fiscais como as Ilhas Cayman, onde o capital brasileiro somava US$ 13,930 bilhões no ano passado, Ilhas Bahamas (US$ 7,825 bilhões) e Ilhas Virgens Britânicas (US$ 6,254 bilhões). O país que mais se beneficiou com o crescimento do capital brasileiro no exterior entre 2003 e 2004 foi a Dinamarca, onde o investimento pulou de US$ 10 milhões para US$ 6,460 bilhões de entre um ano e o outro. Paraísos fiscais O chefe do Departamento de Supervisão de Câmbio e de Capitais Internacionais do Banco Central, Ricardo Liao, atribuiu a concentração do capital produtivo brasileiro em paraísos fiscais a uma estratégia dos empresários para reduzir os custos com impostos. "Esses países são apenas escalas do dinheiro antes de ir a seu destino final", afirmou Liao, que explicou que as sedes dessas empresas estão em paraísos fiscais devido ao fato de ali pagarem menos impostos. O funcionário esclareceu que o Banco Central não tem informações exatas sobre o verdadeiro destino dos investimentos que aparecem como feitos em paraísos fiscais. O Censo também constatou que os investimentos dos brasileiros em diferentes pastas de ações no exterior subiram de US$ 5,946 bilhões em 2003 para US$ 8,224 bilhões no ano passado. Em contrapartida, os depósitos dos brasileiros em bancos no exterior caíram de US$ 16,412 bilhões em 2003 para US$ 10,418 bilhões no ano passado. Os principais destinos desses depósitos bancários no ano passado foram os Estados Unidos (US$ 5,198 bilhões), Reino Unido (US$ 1,784 bilhão), Ilhas Cayman (US$ 825 milhões), Alemanha (US$ 550 milhões ) e Áustria (US$ 350 milhões).

Agencia Estado,

03 Novembro 2005 | 18h33

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