Brasileiros vão à Argentina tentar acertar dívidas

Praticamente sem receber dos argentinos desde dezembro, quando foi decretado o ?corralito?, um grupo de empresários brasileiros, representando diversos setores exportadores, vai ao país vizinho, no mês que vem, na comitiva do ministro Sérgio Amaral (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), em busca de soluções para a inadimplência dos importadores argentinos, e de garantias para futuras exportações do Brasil para a Argentina. A visita está programada para começar em 21 de março, segundo assessores do ministro, e a comitiva deverá ter representantes dos setores têxtil, calçadista, da indústria alimentar, dos exportadores de frango, químico, automotivo e siderúrgico. Também se buscará solucionar os problemas do regime bilateral automotivo.A estimativa do setor têxtil, por exemplo, é de que a dívida dos Argentinos com a indústria de tecidos e confecções gira em torno de US$ 50 milhões. Desse valor, US$ 25 milhões já venceram, e o outros US$ 25 milhões expiram ao longo do semestre. Entre os calçadistas, a projeção de dívidas é de até US$ 5 milhões. E os exportadores de frango praticamente paralisaram as vendas para a Argentina desde novembro, justamente por temor de calote.Segundo Paulo Skaf, presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), o interesse maior é resolver as dívidas já vencidas, a vencer nos próximos meses e obter garantia para novos negócios, que poderiam ganhar impulso por meio da ampliação do CCR (Convênio de Crédito Recíproco). "A visita do ministro argentino Jose Ignacio de Mendiguren (Indústria) ao Brasil foi uma demonstração de vontade de diálogo para ajudarmos os argentinos no quer for possível", disse o executivo, que participará do grupo, referindo-se à visita que aconteceu na semana retrasada.De acordo com a Abicalçados (Associação Brasileira da Indústria de Calçado), além de resolver a questão da dívida, o Brasil também tem interesse em apoiar a promoção de produtos argentinos em terceiros mercados, como o chinês, dando início ao chamado processo de integração de cadeias produtivas.A maioria absoluta das empresas calçadistas afetadas pela crise argentina é do Rio Grande do Sul. Elcio Jacometi, presidente da entidade, explicou que os distribuidores argentinos já fizeram o pagamento das dívidas, mas, desde dezembro, o Banco Central da Argentina praticamente não libera recursos, e as vendas do Brasil para a Argentina estão em ritmo muito lento.A Argentina é o segundo maior mercado para o calçado brasileiro, atrás apenas dos Estados Unidos.Leia o especial

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