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Brasileiros voltam para casa

Crise interrompeu o sonho de muitos imigrantes, que tiveram de comprar uma passagem e retornar para o País

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

A crise globalizou as perdas financeiras e o desemprego. E muitos brasileiros tiveram de interromper o sonho de fazer a América, o Japão, a Inglaterra e outros países, comprar uma passagem e voltar para casa.Um dos destinos dos brasileiros, especialmente os de Goiás, é a Irlanda. Maycol Ragner da Silva, 25 anos, de Anápolis (GO), voltou de Galway, na costa ocidental do país, há um mês. Lá, trabalhou por cinco anos como auxiliar de carpintaria.Silva foi um dos moradores de Anápolis que se mudaram para a Irlanda em busca do ganha-pão. Anápolis é conhecida por fornecer há uma década mão de obra para os frigoríficos irlandeses. Nos últimos anos, a construção civil também começou a atrair brasileiros. Agora, a cidade começa a receber os patrícios de volta.Em Galway, Silva recebia 1,6 mil por semana. Nos fins de semana se reunia com brasileiros para "assar uma carninha". Lá conheceu a namorada, que vive com o pai e o irmão. A família enfrenta dificuldades com a crise na Irlanda. "Os irlandeses foram os primeiros demitidos porque ganhavam mais que os brasileiros. Mas, como não tem mais obra, os brasileiros também perderam o emprego."Hoje ele ganha R$ 700 como funcionário da loja de escapamentos do tio. Na Irlanda conseguiu juntar dinheiro para comprar um terreno e um carro e agora terá de esperar dias melhores para construir uma casa. "A situação não está fácil. Vi irlandeses trocando o país pela Austrália. Todo mundo está atrás de um emprego, seja onde for."Silva guardava parte do salário numa conta no Banco do Brasil, uma das instituições financeiras que mais atendem brasileiros no exterior. Segundo o BB, Anápolis é a terceira cidade que mais recebe as remessas desses emigrantes, atrás de Governador Valadares e Ipatinga.A crise refletiu nos dados do Banco Central (BC). Na comparação entre fevereiro de 2008 e 2009, as remessas de brasileiros no exterior para o Brasil caíram 14%. De setembro de 2008, quando a crise se agravou, até o mês passado, a queda foi de 20,7%.As remessas caíram por causa do retorno de brasileiras como Cristina Yamamoto, de 52 anos, que ficou quase 10 anos em Sukaya, no Japão. Cristina migrou para o Japão obstinada a guardar dinheiro. O regresso a Curitiba estava programado para daqui dois anos. A crise apressou a volta. "O tempo todo me sentia ameaçada pelo desemprego. Vi muitos amigos ficarem sem trabalho. Decidi voltar antes que a situação piorasse."Cristina quer abrir uma cafeteria. Sem experiência, ela resolveu fazer cursos no Sebrae voltados aos dekasseguis. "Nunca tinha visto uma crise tão grande. Onde os brasileiros passavam o fim de semana fazendo um churrasco, perto dos rios ou debaixo das pontes, é hoje onde vivem os sem-teto."

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