Braskem avalia fábricas de ''plástico verde'' no exterior

Empresa inaugurou ontem no Rio Grande do Sul sua unidade de eteno feito com etanol de cana-de-açúcar

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 00h00

A Braskem inaugurou ontem em Triunfo, no Rio Grande do Sul, sua primeira fábrica de "plástico verde" - que utiliza o etanol, em vez do petróleo, como matéria-prima. E os planos da empresa para o segmento são ambiciosos. Segundo Bernardo Gradin, o presidente da Braskem, a companhia já estuda a possibilidade de uma nova fábrica no Brasil e negocia projetos semelhantes em outros quatro países.

A fábrica inaugurada ontem, em solenidade que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vai produzir 200 mil toneladas de polietileno verde por ano, usando tecnologia desenvolvida pela própria empresa. A diferença está na matéria-prima. Em vez do petróleo usado no processo tradicional, é a cana-de-açúcar que vai gerar o etanol que será transformado em eteno, polietileno, plástico e, por fim, sacolas de supermercados, frascos de produtos de higiene e beleza, embalagens de alimentos e até tanques de combustível.

A grande vantagem ambiental, segundo a empresa, é que cada tonelada produzida do "plástico verde" sequestra até 2,5 toneladas de dióxido de carbono do ar, por meio da absorção feita pela cana-de-açúcar. A Braskem investiu R$ 500 milhões no projeto, com recursos próprios e empréstimos, e percebe que o produto terá mercado crescente.

Segundo Bernardo Gradin, a demanda pelo produto já supera três vezes a capacidade da planta, e ele acredita que não há um teto para isso. "Eu não colocaria limites", destacou. Entre os clientes do plástico verde citados pela fabricante estão empresas como a Tetra Pak, Shiseido, Natura, Acinplas, Johnson & Johnson e Procter & Gamble.

O executivo não deu detalhes sobre a eventual expansão do projeto para outros países. Afirmou apenas que eles estão localizados na Europa, América e Ásia. Segundo Gradin, as unidades poderão ser construídas no exterior mesmo que a matéria-prima de abastecimento, o etanol, seja fornecido do Brasil.

"Esses países querem que se repita o que foi feito no Rio Grande do Sul... Seriam fábricas simultâneas ao crescimento em polietileno verde no Brasil", disse. O Rio Grande do Sul não produz cana-de-açúcar, embora exista a possibilidade de que, com a unidade de Triunfo, empresários possam pensar em investir no Estado, segundo Gradin.

Por enquanto, a unidade será abastecida por 462 milhões de litros de etanol por ano adquiridos em São Paulo, Minas Gerais e Paraná e transportados por navios, trens e caminhões ao Rio Grande do Sul. Para o futuro, o Estado está identificando zonas propícias ao plantio de cana-de-açúcar, enquanto pesquisadores desenvolvem variedades adaptadas ao solo e clima locais.

Expansão. Além de eventuais unidades produtoras de polietileno verde em outros países, Gradin destacou que a próxima reunião do conselho de administração, prevista para 6 de outubro, também definirá os novos passos da empresa neste segmento dentro do Brasil.

"As novidades ainda não passaram pelo conselho, mas garantimos a intenção (de expandir os negócios em plástico verde no Brasil)", disse. De acordo com ele, além da previsão de se tornar uma das maiores petroquímicas do mundo, a Braskem mantém o interesse de ser líder mundial em biorresinas. / COM REUTERS

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