Braskem considera 'natural' pedido da CVM

Petroquímica está esclarecendo a adoção da contabilidade de hedge, que também foi adotada pela Petrobrás

MARIANA DURÃO / RIO , O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2013 | 02h10

A Braskem confirmou ontem que está prestando explicações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a adoção da contabilidade de hedge (hedge accounting), como revelou na segunda-feira o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. A autarquia solicitou à petroquímica documentos e detalhes sobre a política de gestão de risco que norteará a nova estratégia do grupo.

A xerife do mercado de capitais brasileiro também pediu informações à Petrobrás. Em nota, a Braskem disse que "considera natural o ofício da CVM com pedido de esclarecimentos diante da relevância do tema hedge accounting".

A empresa diz que já enviou ao órgão regulador os documentos pedidos: cópia da documentação que formaliza a estratégia de gestão de risco objeto da nova norma contábil e os pareceres técnicos que embasaram a sua decisão e a dos auditores.

A Braskem informou também que vinha estudando a adoção dessa prática contábil desde o ano passado. A decisão de aplicá-la foi tomada em maio, após um parecer favorável de seus auditores.

Para a empresa, a medida contábil - permitida no Brasil desde 2009, quando foi aprovado o pronunciamento contábil 38 (CPC 38) - foi bem acolhida pelo mercado, por especialistas e acadêmicos, para quem o chamado "hedge accounting" dá melhor qualidade aos balanços.

A CVM admite que está "analisando o tema contábil para um conjunto de companhias". Por questão de sigilo, as informações ao público sobre os processos são restritas.

A contabilidade de hedge é um mecanismo que neutraliza parte do impacto da variação cambial sobre a dívida da empresa no curto prazo.

Com manobra, as exportações são usadas pelas companhias como proteção contra a variação da dívida em moeda estrangeira. A manobra elimina o descasamento contábil entre os efeitos benéficos da valorização do câmbio na receita de empresas exportadoras - mais demorado - e o imediato peso negativo sobre a variação da dívida em moeda estrangeira.

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