Braskem desiste de Comperj e retoma negociação sobre nafta

Complexo era avaliado em US$ 4 bi; empresa iniciou conversas com a nova direção da Petrobrás sobre acordo que vence no dia 28

ANDRÉ MAGNABOSCO, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2015 | 02h02

O plano de investimentos da Braskem para 2015 refletirá as mudanças no ambiente de negócios enfrentadas pela petroquímica brasileira e oficializará o fim do projeto de construção de um novo polo petroquímico no Rio de Janeiro.

Diante da desaceleração da economia brasileira e da queda nas cotações do petróleo, o investimento da Braskem neste ano deve ser inferior aos R$ 2,526 bilhões desembolsados em 2014. O presidente da empresa, Carlos Fadigas, não revela qual será o valor dos investimentos a ser analisado pelo conselho de administração da companhia em um prazo de até 60 dias, mas explica que o orçamento será revisto a pedido do próprio conselho.

A principal novidade do plano de investimentos 2015 será o cancelamento do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), projeto que chegou a ser avaliado em mais de US$ 4 bilhões e estava inicialmente associado a uma refinaria da Petrobrás. O cronograma da refinaria é incerto neste momento. Já o polo petroquímico a ser instalado no município de Itaboraí (RJ) deixou de ser prioridade para a Braskem.

Em seu lugar entra o projeto de expansão de outro polo petroquímico, localizado no município de Duque de Caxias. O projeto ainda não tem cronograma estabelecido e deve resultar na duplicação da capacidade atual de 540 mil toneladas anuais de polietilenos. "Havendo matéria-prima, o melhor uso econômico (do gás disponível na costa do Rio de Janeiro) seria Duque de Caxias", salientou Fadigas. "O projeto levaria algum tempo até ser construído, então a questão central é a assinatura de um contrato de longo prazo", complementou.

O polo de Duque de Caxias é abastecido com gás natural fornecido pela Petrobrás, porém a unidade enfrenta dificuldades para rodar com plena capacidade em função de problemas de fornecimento por parte da estatal. A oferta de mais gás tende a ser equacionada ao longo dos anos, com o aumento da produção da Petrobrás.

Negociações. A revisão do planejamento interno não é a única prioridade de curto prazo da Braskem. A companhia tem até o próximo dia 28 de fevereiro para formatar um novo acordo de fornecimento de nafta, principal matéria-prima da petroquímica, com a Petrobrás. O acerto considerado mais "factível" por Fadigas neste momento seria a assinatura de um novo aditivo com duração de seis meses, o terceiro acordo do tipo assinado entre as empresas. O período, afirma Fadigas, seria suficiente para que a nova diretoria da Petrobrás analisasse o tema e negociasse com a Braskem uma solução de longo prazo, com custos mais competitivos e prazo de cinco ou dez anos.

A empresa, que tem como sócios o grupo Odebrecht e a Petrobrás, divulgou resultado ontem. A petroquímica registrou prejuízo líquido de R$ 24 milhões no quarto trimestre de 2014, ante um prejuízo inferior a R$ 1 milhão registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado entre janeiro e dezembro, o resultado foi positivo em R$ 726 milhões, uma expansão de 43% em relação ao mesmo período de 2013.

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