Braskem ganha R$ 1,5 bi com desoneração

Empresa, controlada por Odebrecht e Petrobrás, é a maior beneficiada pela decisão do governo de desonerar indústria química

Entrevista com

ANDRÉ MAGNABOSCO, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2013 | 02h06

A decisão do governo federal de reduzir a alíquota de PIS e Cofins na compra de produtos químicos beneficiou de forma direta um grupo de mais de 50 empresas do setor e, de forma indireta, as indústrias brasileiras que usam algum insumo químico em suas linhas de produção. Nenhuma delas, porém, foi tão beneficiada quanto a Braskem, empresa controlada por Odebrecht e Petrobrás.

Ao reduzir a alíquota de produtos como nafta petroquímica de 9,25% para 1%, e manter o direito de um crédito tributário sobre 9,25%, o governo proporcionará um ganho direto de R$ 600 milhões à Braskem em 2013 - valor que pode subir para R$ 900 milhões no ano que vem, segundo o presidente da petroquímica, Carlos Fadigas.

O benefício vem em boa hora, já que a empresa encerrou 2012 com prejuízo de R$ 738 milhões. De acordo com o executivo, a medida viabiliza novos investimentos no Brasil e abre espaço, inclusive, para que o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) seja ampliado.

De que maneira a desoneração favorece a indústria petroquímica brasileira e a Braskem?

A medida reduz o preço da matéria-prima, aumenta os resultados da empresa, permite rodar o parque industrial com maior taxa de operação e investir mais.

Já houve tempo para a análise dos primeiros efeitos da medida provisória publicada três semanas atrás?

Nossos clientes estão refazendo contas. Eles analisam exportações que não eram feitas e passam a ser viáveis, ou o abastecimento de mercados no Brasil que não eram atendidos. Alguns já pediram para aumentarmos nossa taxa de operação. Mas ainda não temos uma resposta definitiva sobre isso. A própria Braskem analisa algumas exportações que passam a ser viáveis no mercado de resinas e antes não eram.

O sr. estimou o ganho da Braskem com a desoneração em R$ 600 milhões. Em 2014, esse número poderia alcançar R$ 1 bi?

É um número que incide sobre o preço da matéria-prima, portanto pode variar conforme a oscilação dos preços. Mas acredito que R$ 900 milhões de estimativa é um bom número para as condições de preço de nafta que temos hoje.

A Braskem vai intensificar os investimentos?

Fizemos um mapeamento em 2012 de todas as oportunidades que temos. Com a desoneração, temos maior capacidade de investimento e os projetos podem se tornar mais rentáveis. Analisamos a construção de novas unidades e até mesmo o próprio porte do Comperj.

O Comperj pode ser ampliado?Apesar de a medida não alterar a rentabilidade do Comperj, porque o benefício se encerra antes de o Comperj operar (a desoneração vale até 2017), ela nos dota de maior capacidade financeira. Podemos fazer um Comperj um pouco maior.

Dentre os projetos possíveis, há algo mais avançado?

Temos, por exemplo, o projeto de produção de polipropileno verde, que está mais pronto e temos um pedido de apoio para dar maior rentabilidade a ele. Também mapeamos alternativas para agregar valor a produtos que saem de nossas centrais. Estudamos a possibilidade de fazer projetos próprios, em parceria com outras empresas ou a partir da atração de empresas.

A Braskem mudará sua estratégia de crescimento?

Não. Eu diria que mudamos a proporção dos desembolsos,

E sobre a decisão da Braskem de colocar ativos à venda?

A desoneração não altera dramaticamente a forma como temos gerido o assunto. Do ponto de vista de estratégia, continua nos parecendo um bom exercício desinvestir em algumas áreas.

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