Braskem investe US$ 34 milhões em fábrica nos Estados Unidos

Projeto reforça presença internacional da empresa, que deve se beneficiar do custo do gás de xisto no mercado americano

MARINA GAZZONI, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2014 | 02h04

A Braskem anunciou ontem que vai investir US$ 34 milhões na construção de uma nova fábrica em La Porte no Texas, nos Estados Unidos. A unidade produzirá uma resina conhecida comercialmente como Utec e usada como componente na construção civil, produção de artigos militares e produtos para extração de petróleo.

A indústria química brasileira divulgou que pretende iniciar as obras da fábrica a partir do terceiro trimestre deste ano, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2016. A empresa já produz polipropileno em La Porte.

"Trata-se de um passo lógico para o nosso negócio, uma vez que a comercialização da Utec já existe há mais de 10 anos nos Estados Unidos. A iniciativa permitirá à Braskem ampliar e intensificar sua atuação estratégica no cenário internacional", afirmou o vice-presidente dos negócios da Braskem nos EUA e Europa, Fernando Musa.

A empresa, que tem uma fábrica de Utec no Brasil, em Camaçari (BA), diz que a produção nos EUA será complementar à brasileira. Questionada pelo Estado sobre por que não fez o investimento no Brasil, a empresa respondeu, em comunicado, que "já tem uma planta para a produção da resina Utec em operação na Bahia e avaliou diversos locais para fazer sua segunda. Os EUA reuniram as melhores condições de competitividade, como disponibilidade de matéria-prima, proximidade com os clientes e crescimento do mercado para este tipo de resina especial".

A empresa disse também que a resina produzida nos Estados Unidos abastecerá, principalmente, o mercado americano e europeu.

Esse é o segundo investimento recentemente anunciado pela Braskem nos Estados Unidos. Em novembro do ano passado, a companhia informou que vai construir, em parceria com a Odebrecht Ambiental, um polo petroquímico no Estado de West Virginia. A estruturação do projeto será feita pela Odebrecht Ambiental, mas a Braskem será a operadora do complexo.

Com produção nos Estados Unidos, a Braskem poderá desfrutar dos ganhos de produtividade que o gás de xisto, tecnologia que revolucionou o setor energético americano, deve trazer à indústria petroquímica no país. A tecnologia trouxe uma redução no preço do gás americano, que hoje representa cerca de um quarto do custo do gás para a indústria no Brasil. Esse insumo é um dos principais custos para a indústria química e pode responder por até 35% dos gastos para produção.

México. Outra frente de expansão internacional da Braskem são os projetos no México. A empresa está construindo um complexo de produção de etileno no país em parceria com o grupo mexicano Idesa.

O projeto é batizado de Etileno XXI e se constitui no maior investimento estrangeiro direto feito por uma empresa brasileira no México e o maior do setor petroquímico do país. O polietileno é matéria-prima para o plástico e componente da indústria automotiva, de embalagens e eletrodomésticos. O complexo é o maior projeto de um plano de investimento de US$ 8 bilhões do grupo Odebrecht no México entre 2012 e 2018. / COLABOROU ANDRÉ MAGNABOSCO

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