Braskem prevê investir 15% menos neste ano

Recuo na receita e piora nos resultados financeiros fizeram lucro da petroquímica cair 49% no 1º trimestre do ano

ANDRÉ MAGNABOSCO, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2015 | 02h03

A dificuldade em chegar a um acordo com a Petrobrás para a assinatura de um novo contrato de fornecimento de nafta, matéria-prima básica na produção de plásticos, obrigou a Braskem a reduzir o ritmo de investimentos no Brasil em 2015. O orçamento anual, divulgado ontem pela petroquímica, indica que os investimentos neste ano devem somar R$ 2,135 bilhões, montante 15,5% inferior ao desembolsado em 2014.

Quando desconsiderada a construção de um novo complexo no México, principal projeto em curso dentro da Braskem neste momento, os desembolsos previstos caem para R$ 1,316 bilhão, montante 31% inferior ao realizado no ano passado também sem o México.

Durante coletiva realizada ontem, o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, atribuiu a queda à realização de duas paradas programadas em centrais petroquímicas durante o ano de 2014, avaliadas em aproximadamente R$ 500 milhões. Depois do evento, contudo, o executivo admitiu que o ritmo de investimentos também reflete a inexistência de um contrato de longo prazo com a Petrobrás. Caso houvesse maior previsibilidade em relação às condições de fornecimento de nafta petroquímica, a companhia poderia dar andamento a mais "R$ 400 milhões, R$ 500 milhões ou R$ 600 milhões" em projetos, disse.

As negociações entre Braskem e Petrobrás, sócia da Odebrecht no controle da petroquímica, tiveram início em 2013, último ano de validade do mais recente contrato de longo prazo formalizado entre as empresas. A partir de fevereiro de 2014, a relação comercial entre as duas companhias é feita mediante a assinatura de aditivos com prazos de seis meses. Essa condição já afetou o andamento de dois projetos de empresas estrangeiras no Brasil. A alemã Styrolution e a polonesa Synthos aguardam uma sinalização de disponibilidade de matéria-prima por parte da Braskem para construir novas fábricas no Brasil.

Outros projetos dependem da expansão da oferta. De acordo com Fadigas, a Braskem pode enfrentar restrições de fornecimento no Rio Grande do Sul caso a Innova decida ampliar a capacidade de sua produção local. No Rio de Janeiro, outro entrave tem origem na dificuldade enfrentada pela Petrobrás em garantir o fornecimento de matéria-prima utilizada nas operações do polo petroquímico local.

Balanço. A petroquímica registrou lucro líquido de R$ 204 milhões no primeiro trimestre de 2015, resultado 49% inferior ao anotado nos três primeiros meses do ano passado. A queda nos ganhos foi motivada por uma demanda menor e por uma piora no resultado financeiro.

A receita líquida da companhia atingiu R$ 10,195 bilhões, queda de 14% em relação ao primeiro trimestre de 2014.

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