Braskem quer aumentar produção de 'plástico verde'

Capacidade de fábrica de resinas a partir do etanol a ser inaugurada no RS será elevada em 50 mil toneladas por ano

Alexandre Rodrigues, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2010 | 00h00

RIO

A petroquímica Braskem quer aumentar a sua capacidade de produção de resinas a partir do etanol para a obtenção do chamado "plástico verde". A companhia elevou de 150 mil para 200 mil toneladas a capacidade anual de produção de sua primeira unidade que substitui o petróleo pela cana-de-açúcar como matéria-prima, que será inaugurada no segundo semestre, em Triunfo (RS). E planeja investir em outras fábricas.

Diante da crescente demanda por produtos de origem renovável que identifica no mercado, o vice-presidente de Planejamento e Tecnologia da Informação da Braskem, Alan Hiltner, disse ontem que a companhia aposta no segmento. A empresa já tem projetos de fábricas com capacidade de até 400 mil toneladas, mas ele não deu detalhes sobre as regiões em que elas seriam instaladas.

De acordo com ele, a fábrica de Triunfo começará a operar em agosto com toda a produção já vendida, apesar de o produto obtido da cana-de-açúcar ainda ser 30% mais caro do que o similar derivado do petróleo. "Mesmo assim, não tem para quem quer", afirmou o executivo, em seminário sobre as perspectivas da petroquímica brasileira promovido ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.

Ainda segundo Hiltner, a certificação verde do plástico que será produzido pela Braskem no Rio Grande do Sul exerce maior atração sobre o mercado europeu, mas também há compradores nacionais interessados. Ele diz acreditar que a Europa apostará na política verde como mecanismo de incentivo da economia e barreira aos produtos asiáticos, que investem em petroquímica.

Incentivos na Europa. O executivo revelou que a Braskem recebeu do governo da Holanda a oferta de incentivos e uma área em Roterdã para instalar uma unidade similar à de Triunfo naquele país. A empresa, segundo ele, também foi sondada pela França com o mesmo objetivo. No entanto, a petroquímica resiste diante de fatores competitivos desfavoráveis à instalação de ativos na Europa. "Estamos repensando", afirma o vice-presidente de Planejamento e Tecnologia da Informação da companhia.

Na visão de Alan Hiltner, as limitações para a produção em grande escala "são temporárias". "Para nós, hoje, o gargalo não é mais tecnológico. É logística e tamanho de área plantada para ter unidades de até 1 milhão de toneladas."

Presente no evento da FGV sobre as perspectivas para o setor petroquímico, Marcos De Marchi, presidente da Rhodia América Latina e dirigente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), afirmou que a demanda verde não sustenta a venda de produtos com preços diferenciados. "A química verde só sobrevive se for competitiva diante do petróleo. Na crise, o sujeito compra o mais barato. Não viveria desta ilusão."

Aquisições no exterior. Hiltner afirmou que a Braskem continua atenta a oportunidades de aquisição no exterior como forma de aumentar a sua presença no cenário internacional. Para ele, o setor viverá até meados do ano que vem uma "janela" favorável a um forte processo de consolidação.

Ele afirmou que a empresa abre este ano um escritório em Cingapura em busca de oportunidades de aquisição e joint ventures na Ásia. "Em quatro anos, a Ásia representará 60% do mercado mundial de resinas. Se não estivermos lá, e hoje não estamos, estaremos fora do jogo mundial", afirma.

Para entender

1.

O que é o plástico verde?

O plástico obtido a partir do etanol é chamado de verde por vir de uma matéria-prima renovável.

2.

Como é o processo de produção?

O processo de obtenção de carbono da cana-de-açúcar consiste na desidratação do álcool com a ajuda de catalisadores. Após a purificação, é obtido o eteno adequado ao processo de polimerização, permitindo a obtenção de todos os tipos de polietileno - que, por sua vez, dá origem a diversos tipos de produtos plásticos.

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