Braskem vai assumir área de produção de resinas do Comperj

Segundo presidente da Braskem, cenário atualmente em estudo prevê que companhia assuma integralmente a tarefa de construir e operar a central petroquímica e as linhas de produção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, da Petrobrás

André Magnabosco, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2011 | 00h00

Em meio às diversas indefinições ainda existentes acerca do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), um dos pontos mais importantes do projeto parece já estar equacionado. A Braskem, empresa que tem como principais acionistas a Odebrecht e a Petrobrás, será a responsável pela construção da central petroquímica e das linhas de produção de resinas termoplásticas do polo instalado em Itaboraí.

De acordo com o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, o cenário em análise neste momento prevê que a companhia assumirá integralmente a tarefa. A partir da central petroquímica serão fabricados insumos que abastecerão outras rotas de produção do complexo, como a de óxido de eteno e a de estireno.

O valor do investimento previsto, assim como a capacidade de produção dessa rota petroquímica, permanecem em análise interna entre a Petrobrás, responsável pelo projeto, e suas parceiras. Mas, como o projeto terá escala mundial, a produção de resinas certamente vai superar 1 milhão de toneladas anuais. Projeto semelhante está sendo idealizado pela Braskem e a Idesa no México e está estimado em US$ 2,5 bilhões.

Fadigas explicou que a Braskem já preparou um primeiro esboço do estudo de engenharia do Comperj, adequado às mudanças promovidas pela Petrobrás - principalmente quanto à substituição de óleo pesado para gás natural como principal matéria-prima do complexo. Uma segunda etapa dessa análise, mais detalhada, deverá estar concluída até meados de 2012. Em 2013, o projeto de engenharia definitivo estará concluído e, a partir de então, a participação efetiva da Braskem no Comperj será encaminhada para análise do conselho de administração da petroquímica - que tem quatro dos 11 representantes indicados pela própria Petrobrás.

Mercado externo. A área petroquímica do Comperj deverá entrar em operação entre 2016 e 2017 e é considerada o principal projeto da Braskem no Brasil para esta década. A companhia, que também construirá fábricas de menor porte no País, como a de PVC anunciada para Alagoas, terá como principal frente de crescimento nos próximos anos o mercado externo. O foco é especialmente a América do Norte, onde já opera fábricas de polipropileno nos Estados Unidos e constrói um complexo petroquímico no México.

Fadigas revelou que as análises mais recentes feitas pela Braskem confirmam a viabilidade de expansão nos EUA - desde aquisições até a construção de novas unidades. Caso opte pela construção de uma central petroquímica naquele país, a Braskem deve analisar a construção de uma unidade com escala mundial, ou seja, com capacidade anual de no mínimo 1 milhão de toneladas de eteno, produzidos a partir de etano e do gás natural.

Já o projeto do México, previsto inicialmente para produzir 1 milhão de toneladas anuais de eteno, passou por leve ajuste e deverá entrar em operação em 2015, com capacidade para produzir 1,05 milhão de toneladas anuais. "O ajuste ocorre a partir do desenvolvimento e discussão de engenharia com o fornecedor de engenharia e com o fornecedor da tecnologia." Eventuais aumentos de capacidade no local ainda não estão em análise, disse o executivo.

Em contrapartida ao avanço dos estudos nos Estados Unidos, os projetos da Braskem na América do Sul parecem ter encontrado um novo ritmo de prioridade. A exceção fica por conta da fábrica de polipropileno que deverá ser construída na Venezuela, em parceria com a Pequiven, cujo investimento é menos significativo e o prazo de instalação da unidade, mais curto.

O outro projeto venezuelano, que prevê a construção de um complexo semelhante ao mexicano, teve o cronograma revisado no início do ano passado e, desde então, perdeu relevância nos anúncios da Braskem. O mesmo ocorreu com o polo a ser construído na Bolívia. Já a definição sobre o projeto de um complexo petroquímico no Peru ainda está atrelada à oferta de gás natural no País.

A despeito da indefinição desses projetos, a produção de resinas da Braskem até o final da década deverá praticamente dobrar em relação ao patamar atual, de 6,5 milhões de toneladas anuais. Isso porque, só na América do Norte, a produção de resinas poderá ter um acréscimo superior a 2 milhões de toneladas anuais. No Comperj, o acréscimo pode alcançar até 1,5 milhão de toneladas, conforme sinalizado pela Braskem em apresentação a instituição financeiras, o que elevaria a produção da companhia para 10 milhões de toneladas anuais de resinas.

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