Bratz, a nova onda adolescente

Elas são modernas, loucas por moda e exageradas na hora de se vestir e de se maquiar. Novidade que chega às lojas brasileiras nesta semana, as Bratz - bonecas lançadas no ano passado nos Estados Unidos - vêm para conquistar as pré-adolescentes. Diferentes de outras já lançadas, as quatro bonecas se parecem com as meninas, têm os mesmos gostos e não apresentam nada parecido com a imagem de princesa da Barbie.As primeiras brasileiras que viram as bonecas, expostas na vitrine de um shopping, ficaram "pasmas". "Essa parece comigo, e essa é igual a você", gritavam, apontando para as bonecas. Bruna Savóia, de 11 anos, ficou um bom tempo analisando as Bratz. Depois, disse, com um largo sorriso: "Dá vontade de comprar todas. Elas usam as roupas que eu gosto, que eu queria ter".LançamentoCriadas pela empresa americana MGA Entertainment, com o objetivo de preencher um segmento pouco explorado pela indústria de bonecas, as Bratz têm novo padrão, não são bebês nem adultas. Refletem o comportamento das meninas que não são mais tão crianças. Quem gosta das Bratz quase não brinca de boneca. Nos Estados Unidos, para algumas garotas, as bonecas tornaram-se objetos de decoração.A chegada ao Brasil da turma de Yasmin, Jade, Cloe e Sasha não poderia deixar de ser fashion. Durante o lançamento, a agência de propaganda Rodrigues e Santini usou uma estratégia singular: transformou as vitrines de lojas de brinquedos em "lojas de moda". Nos biombos montados, as Bratz conversam no quarto, enquanto uma delas se olha no espelho. A roupa delas será trocada sempre. Assim, as meninas que curtem passear nos shoppings conhecerão sozinhas as bonecas."É uma propaganda conceitual, pois queremos que as garotas se identifiquem com as Bratz. Depois, vamos avaliar outra estratégia adequada", diz o publicitário Gilberto Rodrigues, que criou a campanha.ConcorrentesO gerente nacional de vendas da Gulliver - empresa que importa as bonecas -, Paulo Benzatti, garante que não trouxe as Bratz para o Brasil com a intenção de tomar o lugar das concorrentes Barbie e Susi. Para o lançamento, 20 mil bonecas chegarão às prateleiras das lojas, com preço médio de R$ 69,00. Até dezembro, a Gulliver trará outra integrante do grupo, a Meygan, que já está no mercado americano, além de um menino que se juntará ao grupo.Nos Estados Unidos, as Bratz estão fazendo sucesso. Em dezembro, bateram o lançamento da Barbie Quebra-Nozes (uma "bailarina"), segundo o NPD Group, que faz o ranking dos brinquedos mais vendidos no país. A situação repetiu-se em abril e maio deste ano. Além disso, as bonecas foram eleitas brinquedos do ano pelo público.Boca-de-sinoAs Bratz usam calças boca-de-sino, sapatos com plataforma e têm olhos escuros. Cada uma tem um estilo, gosta de um tipo de música, tem um apelido. A Cloe, por exemplo, gosta de rock e tem o apelido de anjo. O principal: elas andam em bando, nunca sozinhas, e ainda não têm namorados.A estudante Patrícia Graicar, de 16 anos, conheceu as Bratz em março, quando foi a Londres. "Vi na vitrine da Harold´s, fiquei curiosa e entrei para ver", conta. "Fiquei com vergonha de comprar, mas gostaria de ter uma para enfeite." Sua amiga, Bruna, de 14 anos, também viu as bonecas no mês passado, quando foi à Itália. Ela passou por uma loja em que as Bratz estavam na vitrine. "São originais. Até pensei que eram de lá."VergonhaNa semana passada, elas foram com amigas ao shopping para ver as bonecas. Todas adoraram as Bratz. "O que chama atenção é a cabeça delas, que é grande. Acho que, depois, a gente acostuma", diz Fernanda, de 13 anos. "Elas têm a nossa idade, se vestem como a gente e são diferentes da Barbie, que tem cara de velha."Marina, de 13 anos, que nunca gostou muito de bonecas, teria uma Bratz só para decorar seu quarto. Ela acredita que as bonecas serão vendidas para garotas mais novas. "A gente teria se ganhasse de presente", diz. Depois de examinar as quatro bonecas, todas admitiram que têm um pouco de vergonha de comprá-las. Acham que estão "grandinhas" para isso. Mas se ganhassem dos pais, aceitariam, com certeza.Timidamente, a estudante Tamara Savoia Rodrigues, de 15 anos, apontou para a Cloe e disse que é sua preferida. "Não brinco mais de boneca, mas para enfeitar seria bem legal." Para sua irmã Priscila, de 14 anos, as Bratz devem agradar às mulheres de todas as idades. "Já está virando comentário na escola", contou Tamara, que achou a boneca original.MercadoNinguém sabe exatamente o quanto do mercado as bonecas novatas ganharão. Mas o império da quarentona Barbie é difícil de ruir. A cada estação, cerca de 60 novos modelos de Barbie são lançados no mercado. Só em 2001 foram vendidas no Brasil 1,3 milhão de bonecas, além de 441 mil acessórios. Para garantir a fatia do mercado que aparece, a criadora da Barbie, a empresa Mattel, também lançará em outubro duas bonecas pré-adolescentes, da linha DivaStarz.As bonecas chegaram às lojas americanas em 2000. Também direcionadas às meninas entre a infância e a adolescência, Miranda e Nikki têm comportamento e estilo próprios. Segundo a Mattel, as divas são as mais populares da escola, enquanto a Barbie é "tudo o que você quer ser".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.