Braxcel Celulose projeta fábrica de R$ 4,1 bilhões no Tocantins

Unidade, ainda em fase de estudos e de definição de sócios, poderia produzir até 3 milhões de toneladas por ano

REUTERS, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2012 | 03h07

No sul do Tocantins, a cerca de 300 quilômetros da capital Palmas, deverá ser erguida uma fábrica de celulose que marcará a entrada de uma nova empresa no mercado. Com investimento de R$ 4,1 bilhões na parte industrial, a Braxcel Celulose prevê iniciar operações em 2018.

Tocantins não é industrializado, mas conta com a ferrovia Norte-Sul, sob concessão da Vale, que permitirá o escoamento de 1,5 milhão de toneladas do insumo. A empresa, contudo, pedirá licença para uma fábrica de 3 milhões de toneladas anuais, volume que deve ser alcançado por volta de 2023.

Por enquanto, a Braxcel é uma empresa integralmente do Grupo GMR - que atua ainda no setor imobiliário e é um dos sócios da CPFL Renováveis. Está prevista a entrada de um acionista, possivelmente asiático, quando sair a licença prévia do empreendimento, esperada para entre junho e agosto.

O parceiro estrangeiro deverá ficar com cerca de 75% do capital da Braxcel. Minoritário, o Grupo GMR será responsável por todos os ativos florestais necessários.

O Grupo GMR, que teve faturamento consolidado de cerca de R$ 700 milhões em 2011, também é dono da GMR Florestal, que há seis anos possui áreas plantadas de eucalipto na região do município de Peixe (TO). Atualmente, a empresa tem 100 mil hectares de terra, sendo oito mil plantados, e, até 2018, o total de terras próprias e de terceiros deve chegar a 180 mil hectares.

"Isso (o nome do parceiro) ainda está sob sigilo, porque nesse setor a gente aprendeu que é um clube meio fechado", disse o diretor financeiro da Braxcel, Claudio Ribeiro, citando uma cláusula de confidencialidade.

Ele afirmou que "está fechado" com a parceira, mas tem até a concessão da licença prévia para exercer a opção de concretizá-la. "Mas também temos um plano B", garantiu, sem dar detalhes. A fábrica da Braxcel deverá entrar em operação em um momento em que outros grandes grupos do setor terão ampliado suas atividades, como a Suzano Papel e Celulose e, eventualmente, a Fibria.

"A gente tem alguns estudos de mercado que apontam que, se todos os projetos saírem do papel, ocorra uma superoferta de celulose entre 2020 e 2023. Mas a gente acredita que vários projetos anunciados ficarão pelo meio do caminho", afirmou Ribeiro.

Para o executivo, a demanda por celulose no importante mercado asiático, mais precisamente o chinês, crescerá por muitos anos. "Se a economia da China continuar crescendo num período de 10, 15 anos numa taxa mínima de 6% ao ano, a gente ainda acredita que vai ter uma fábrica competitiva."

Como projetos "certos", ele aposta na fábrica da Suzano no Maranhão e a Eldorado Celulose, que deve iniciar suas operações já no final deste ano.

Financiamento. Ribeiro afirmou que a Braxcel já está atuando em parceria com um banco para a definição do financiamento do projeto, mas é possível que a estrutura seja de 60% de capital próprio e 40% de dívida.

"Já temos alguns acordos com alguns bancos de fonte internacional. Esses parceiros têm acesso ao mercado de capitais, e nós estamos viabilizando algumas outras fontes no grupo", disse o executivo.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não foi procurado pela Braxcel, embora existam conversas com bancos de fomento da Ásia. "O BNDES é uma questão um pouco dúbia, porque ele tem participação, via BNDESPar, tanto na Fibria quanto na Suzano", comentou.

O local onde será construída a fábrica da Braxcel, em Peixe, está a cerca de 45 quilômetros da ferrovia Norte-Sul, que atravessa Goiás, Tocantins e Maranhão. A ideia é que seja construído um ramal ferroviário entre a fábrica e a ferrovia.

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