Brazilian Mortgages: liquidez em fundos imobiliários

O brasileiro sempre gostou de investir em imóveis. Faz parte de nossa cultura. Da mesma maneira, nos acostumamos a aproveitar a conveniência bancária que facilita muito nossas transações financeiras. Veio uma idéia simples e prática: porque não juntar o desejo de possuir imóveis com a praticidade de receber, todo mês o aluguel, via doc em conta corrente? Surgiram os fundos imobiliários direcionados para o varejo.Os fundos imobiliários estão sendo desenvolvidos de uma maneira progressiva e consistente como alternativa de investimento no mercado brasileiro. Há cerca de dois anos foi lançado o primeiro produto desta modalidade vocacionado para os investidores individuais, o Fundo Imobiliário Shopping Pátio Higienópolis.Outros o seguiram, como o Hospital da Criança, o Água Branca e o Torre Norte. Uma base de mais de dois mil clientes já investiu na modalidade. A ampliação do número de investidores e de novos produtos, traz, a médio prazo, maiores perspectivas de liquidez.A estimativa para 2002 é muito atraente. O mercado de grandes empreendimentos imobiliários começa a se habituar a contar, estrategicamente, com os investidores pessoas físicas. Descobriu-se que, quando satisfeito e bem informado, este cliente pode ser um parceiro duradouro para projetos, garantindo os recursos tão escassos para projetos de longo prazo como os imobiliários. Diferentemente do investidor profissional, o de varejo é fiel, desde que haja fidelidade recíproca, ou seja, desde que ele não se sinta, em nenhum momento, lesado ou iludido. O investidor de atacado ou profissional busca sempre a melhor rentabilidade e decide de acordo com a conveniência pontual. Entretanto, são cortejados constantemente pelos empreendedores como se fossem permanentemente provedores de recursos infinitos.O que aconteceu, recentemente, com os fundos de pensão demonstra claramente esta afirmação: os desenvolvedores de grandes projetos imobiliários, que sempre tiveram neste nicho de investidores a fonte de suprimento para novos projetos, de uma hora para outra ficaram sem opção, ou pior, sem recursos para concluírem obras já iniciadas ou para bancar todo o desenvolvimento.Foi daí que surgiu uma grande oportunidade reciprocamente interessante: o investidor participaria de projetos que, individualmente, não conseguiria acessar e os empreendedores atrairiam parceiros para reciclarem seus investimentos e desenvolverem novos projetos. O Brasil se diferencia de outros países emergentes, pois possui uma massa investidora considerável: somando caderneta de poupança com fundos de investimento em renda fixa, o investidor pessoa física, detém, hoje, cerca de R$ 250 bilhões, quantia nada desprezível. E, como dito anteriormente, vide a performance nos últimos 30 anos da caderneta de poupança, este é um tipo de investidor absolutamente fiel, portanto, sem ingerência política ou técnica que o demova da intenção de investir em algo conhecido.Daí a importância de oferecermos produtos que este tipo de investidor possa tangibilizar e acompanhar, que fale sua linguagem. O prêmio para o empreendedor que tiver esta disciplina será uma fonte inesgotável de recursos e com um grande subproduto: esse investidor se torna um consumidor fiel, como é o caso dos que investiram no Shopping Pátio Higienópolis, iniciando um circulo virtuoso de investimentos produtivos em que todos ganham.

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