Nacho Doce/Reuters
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BRF perde R$ 16 bilhões na Bolsa em um ano

Investidores estão preocupados com o grupo, que acumula prejuízo de R$ 2,3 bi em 2018

Mônica Scaramuzzo e Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2018 | 05h00

Enquanto se empenha em deslanchar o acordo de leniência, o comando da BRF corre para fechar a venda de ativos até o fim do ano, como prometido a investidores, e driblar nova crise com acionistas, que esperavam um plano para recuperação financeira mais rápida da companhia. Em 12 meses, a BRF perdeu quase metade de seu valor de mercado. Hoje, são R$ 17,5 bilhões. No auge, em 2015, chegou a R$ 60 bilhões na Bolsa.

Os investidores estão apreensivos, porque a BRF não para de acumular prejuízos – neste ano, o rombo chega a R$ 2,3 bilhões –, e segue perdendo espaço no mercado interno. Analistas ouvidos pelo Estado projetam que, neste ritmo, levará muitos trimestres para que a empresa reverta esse quadro. Voltar ao lucro de forma consistente pode demandar até dois anos.

Pedro Parente, presidente da empresa, tem afirmado que o trabalho de reconstrução da BRF será lento. Os alertas, porém, não evitam que investidores e acionistas emitam sinais de preocupação – e pressão – nos bastidores.

Levado à companhia após uma disputa societária no início do ano, que opôs fundos de pensão Petros (Petrobrás) e Previ (Banco do Brasil) e o empresário Abilio Diniz, Parente está no comando desde junho. Ele traçou um plano emergencial que consiste em levantar R$ 5 bilhões, dos quais R$ 3 bilhões com venda de unidades no exterior, reduzindo o endividamento. A dívida líquida da BRF chegou a R$ 16,3 bilhões ao final de setembro, um recorde. 

As conversas para a venda dos ativos na Europa e na Tailândia estão mais avançadas e podem ser concluídas até dezembro, segundo fontes a par do assunto. Entre cinco interessados, está a rival JBS, dos irmãos Batista. Na Argentina, há maior dificuldade de se achar interessado no pacote de três fábricas. 

A pressão de investidores sobre o processo de venda é grande. Sem esses negócios, a conta prometida por Parente não fecha. “Se vender os ativos, a companhia conseguirá reduzir a dívida”, afirma Leandro Fontanesi, analista do Bradesco BBI. 

E a empresa ainda lida com problemas graves que a impedem de aumentar com rapidez as receitas. Há 12 fábricas da companhia proibidas de vender para países europeus desde maio, há capacidade ociosa de cerca de 20% nas fábricas, e, por fim, a concorrência no Brasil mantém-se feroz. A estratégia da BRF será reverter a queda das margens em 2019 e retomar a rentabilidade em 2020. 

Mudanças na gestão

Além dos problemas financeiros, há necessidade de encontrar um novo presidente – nos últimos cinco anos, seis executivos ocuparam o cargo. Parente indicou que Lorival Luz, atual diretor financeiro, será o substituto. A decisão não foi bem aceita por acionistas e por parte do conselho, apurou o Estado. Apesar de ser bem avaliado – com passagens pela CPFL e Votorantim –, Luz não é visto como preparado para tocar a empresa em momento tão delicado. Por ora, contudo, os sócios, embora decepcionados com o prazo maior para a recuperação da empresa, seguem alinhados com Parente.

BRF, Previ e Abilio Diniz não comentaram. A Petros afirmou que confia no “poder de entrega da gestão atual”, que é liderada por um conselho “capacitado, independente e atuante”.

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