BRF prevê fechar ano com dívida 47% menor

Empresa informou que deve chegar a dezembro com endividamento de R$ 8 bilhões

Adriana Chiarini e Alberto Komatsu, RIO, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

A Brasil Foods (BRF), resultado da fusão da Sadia com a Perdigão, deverá encerrar o ano com uma dívida bruta de R$ 8 bilhões, o que poderá representar uma redução de 47% em relação à dívida bruta conjunta das duas empresas em meados de março. A estimativa é do diretor financeiro da BRF, Leopoldo Saboya.

"Como nós estamos pagando as dívidas de curto prazo, vai diminuindo o dinheiro em caixa, mas vai diminuindo a dívida também. Dá para dizer que a tendência até o final do ano é ter algo como R$ 8 bilhões de dívida bruta. A líquida é muito menor do que isso", afirmou Saboya, que participou ontem do seminário Desafios do Novo Mercado, promovido pela BM&F Bovespa em um hotel da zona sul do Rio.

De acordo com o executivo, a BRF já concluiu todo o processo de incorporação de ações, após ter realizado um aumento de capital de R$ 2,3 bilhões. "O processo superou nossas expectativas em relação a funding", afirmou. "É um orgulho passar por toda essa fase de reestruturação societária de uma forma que consideramos bem-sucedida", declarou.

Saboya explicou que toda a parte de incorporação de ações já acabou. "Todas as ações da Sadia já estão dentro da Brasil Foods. As ações (de Sadia e Perdigão) migraram para uma só corporação", disse Saboya.

Como parte do processo de saneamento financeiro da Sadia, até o final deste ano a Brasil Foods fará uma transferência de até R$ 3,5 bilhões à sua nova controlada, a título de adiantamento para futuro aumento de capital (Afac). Do montante financeiro informado pela empresa em comunicado divulgado na terça-feira, já foram transferidos, em 27 de julho, R$ 950 milhões. Os recursos foram levantados em oferta de ações feita na Bovespa em julho, com captação total de R$ 5,3 bilhões.

O executivo não soube estimar um prazo para a análise da negociação pelas autoridades de defesa da concorrência. "Na área financeira já existe uma deliberação do próprio Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) permitindo que a gestão da dívida, o equacionamento da situação financeira da Sadia, seja feito de forma conjunta. Todos os demais aspectos são separados", afirmou Saboya.

Segundo ele, a sinergia entre as duas empresas só poderá ser realizada após o julgamento final do Cade.

O executivo disse ainda que "fusões e aquisições vão continuar na trajetória da Brasil Foods".

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