Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

BRF recua 3% após suspeita de salmonela

Segundo a própria empresa, problema se concentrou em cortes de frango de uma de suas marcas, a Perdigão

Nayara Figueiredo, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2019 | 10h54
Atualizado 14 de fevereiro de 2019 | 11h41

A BRF (dona da Sadia e Perdigão) anunciou nesta quarta-feira, 13, que vai retirar do mercado um lote de 464 toneladas de frango com a marca Perdigão por risco de presença da bactéria salmonela. Após o comunicado, feito na manhã de quarta-feira, as ações da companhia desabaram e fecharam em queda de 3,2%, a R$ 22,55 – o pior desempenho do Ibovespa. Os papéis da gigante dos alimentos acumulam perdas de 25% em 12 meses.

O grupo afirmou que tomou a decisão de recolher, de forma preventiva, todos os lotes produzidos entre o fim de outubro e meados de novembro do ano passado. Os produtos foram fabricados na unidade de Dourados (MS), que não teve a produção interrompida. Do total, 164,7 toneladas tinham como destino o mercado doméstico e, outras 299,6 toneladas, o exterior.

O recall foi informado ao Ministério da Agricultura e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em nota, o Serviço de Inspeção Federal (SIF) informou acompanhar o processo, assim como a destinação correta do produto em estoque e o que retornará à indústria.

Crise

O anúncio acentua ainda mais crise exposta na BRF. A empresa teve seu nome envolvido na operação Carne Fraca, deflagrada em março do ano passado, em que é acusada de omitir salmonela em seus produtos. 

Desde 2017, a empresa acumula resultados negativos e enfrenta uma crise de gestão. No comando desde o ano passado, o executivo Pedro Parente tem promovido uma reestruturação operacional e financeira na companhia. 

O episódio, contudo, só contribuiu para elevar ainda mais a cautela dos investidores, que preferem outros papéis no setor de alimentos, especialmente a rival JBS. Na semana passada, a BRF anunciou a conclusão de seu processo de vendas de ativos, que somou R$ 4,1 bilhões, abaixo das expectativas do mercado e da própria empresa, que esperava levantar R$ 5 bilhões.

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