BRF vai dizer ao Cade que tem fortes concorrentes

Modelo de fusão já foi apresentado, informalmente, para o presidente do Cade e para a secretária da SDE

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

Por se tratar de um caso que vai criar grande concentração em diversos segmentos do mercado de alimentos industrializados, advogados da Sadia e da Perdigão se anteciparam e apresentaram, na semana passada, a estrutura da Brasil Foods para o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Arthur Badin, e para a titular da Secretaria de Direito Econômico (SDE), Mariana Tavares. A Brasil Foods (BRF) tem até 9 de junho (15 dias úteis a partir da data de assinatura do contrato) para apresentar o negócio oficialmente para as entidades que fazem parte do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência: Cade, SDE e Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae). A partir dessa apresentação, as empresas começarão a negociar um Acordo de Preservação de Reversibilidade de Operação (Apro). O acordo vai estabelecer o grau de integração que poderá ser aplicado enquanto o Cade analisa e julga a operação, processo que deve levar um ano. Nas negociações para a assinatura do Apro, a BRF pretende mostrar que, apesar de liderar em diferentes categorias do mercado de alimentos industrializados, seus concorrentes não são nada desprezíveis. Grandes multinacionais de alimentos, como Tyson Foods (maior processadora de carnes do mundo e que adquiriu, no ano passado, três avícolas no Sul do País, incluindo a Macedo), Cargill (dona da marca Seara) e Bunge (que atua no mercado de margarinas com a marca Delícia ) operam livremente no País, junto com outros concorrentes nacionais. O grau e a velocidade da integração das duas empresas nos próximos meses vai depender dos termos do Apro. Ontem, a BRF afirmou que vai contratar uma consultoria externa para ajudar a desenhar um modelo de integração com base em questões "técnicas e não emocionais", conforme explicou o agora copresidente do Conselho da BRF, Nildemar Secches. A expectativa das duas empresas é que os ganhos com as sinergias podem ser da ordem de R$ 2 bilhões a R$ 4 bilhões. Além do Cade, a BRF também vai submeter a fusão à aprovação das autoridades de defesa da concorrência na União Europeia, onde as empresas possuem participações de mercado relevante.De acordo com ex-integrantes do Cade ouvidos pelo Estado, o elevado grau de concentração decorrente da criação da BRF não é um problema que, por si só, levará o Cade a reprovar ou determinar mudanças na operação. "A concentração em si é apenas um indicador de que o Cade terá que analisar com cuidado o negócio, já que há muitas outras condições a serem consideradas", afirmou o economista Cleaveland Prates, ex-conselheiro do Cade, que julgou a polêmica compra da Garoto pela Nestlé, rejeitada pelo Cade em 2002 por concentrar o mercado de chocolates em quase 60%.Dentre outras condições, o Cade deve avaliar, segundo Prates, se existe ou não a possibilidade de entrada de novos concorrentes num horizonte de tempo de até dois anos após uma fusão. COLABOROU ISABEL SOBRAL

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