finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Bric e Mint na corrida para liderar os emergentes

México, Indonésia, Nigéria e Turquia têm demografias favoráveis pelos próximos 20 anos e boas perspectivas econômicas

Jim O'Neill, da Bloomberg News, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2013 | 02h10

Na semana passada estive na Indonésia, trabalhando numa série para a Rádio BBC sobre quatro das economias emergentes mais populosas do mundo que não pertencem ao grupo Bric. Os países que forma o Bric - Brasil, Rússia, Índia e China - já são observados muito de perto. O grupo que estou estudando para o atual projeto - vou chamá-las economias Mint - merecem igual atenção. México, Indonésia, Nigéria e Turquia têm demografias muito favoráveis para pelo menos os próximos 20 anos, e suas perspectivas econômicas são interessantes.

 

Parlamentares e acadêmicos dos países do Mint frequentemente me perguntavam porque eu os excluía da primeira classificação. Os indonésios defendiam energicamente seu ponto de vista. Com o tempo, acabei me acostumando a ouvir que os países do grupo Bric deveriam se chamar Briic, ou talvez mesmo Biic. Por acaso a Indonésia não tinha um potencial econômico mais interessante do que o da Rússia? Apesar da dimensão de sua população relativamente jovem (um bem inigualável), achava improvável que a Indonésia fizesse o suficiente em termos de política econômica para realizar o seu potencial.

 

 

Agora, nos encontros com cidadãos indonésios das mais diversas classes - desde os principais candidatos às eleições presidenciais de 2014 até consumidores nos lotados shopping centers de Jacarta -, descobri uma saudável preocupação com as perspectivas econômicas do país. Poderá a Indonésia fazer o necessário para aumentar sua taxa de crescimento para 7% ou mais, eles perguntavam, ou teria de se estabilizar em "apenas" 5%? Durante a viagem, fui informado de que o ministro da Economia da Rússia, Alexei Ulyukayev, sugerira que a Rússia provavelmente crescerá apenas 2,5% ao ano nos próximos 20 anos. O que isso significa para essas ambições contrastantes? Depois disso, refleti um bocado sobre o R.

 

Certamente, se a Rússia só crescer 2,5% ao ano nesta década e mesmo depois - muito pouco para manter, e muito menos aumentar, sua parcela da produção global -, será um motivo de preocupação. Principalmente porque o país enfrenta um crescente desafio demográfico à medida que avança para a metade do século. Naquele ano, 2050, eu e muitos outros presumimos que a população da Rússia estará mais perto dos 100 milhões do que dos 140 milhões atuais. Esse agravamento da redução demográfica contribuirá para uma desaceleração ainda maior da economia.

 

O recente desempenho econômico da Rússia foi indubitavelmente fraco, e a demografia não é o único problema. O país depende excessivamente do petróleo e do gás, sofre com a corrupção, e não oferece uma confiável estrutura jurídica ao setor privado. Mesmo assim, qual será o fundamento do pessimismo de Ulyukayev? Até pouco tempo atrás, as autoridades russas eram energicamente otimistas. Lembro de ter dito em 2008 a um grupo em São Petersburgo que a Rússia provavelmente cresceria a uma taxa de 4% ao ano, ou mesmo menos, até o final de 2020, e que era um erro pressupor que os preços do petróleo aumentariam indefinidamente. Como o grupo deixou claro, não era isso que queria ouvir. Acredito que esse recente pessimismo pode ser deliberadamente exagerado. Talvez, parlamentares influentes estejam tentando obter o apoio necessário para empreender autênticas reformas - dizendo: 'vejam o que acontecerá se nós não agirmos.' Vamos esperar que seja assim.

 

Na semana passada, também assistimos ao suspense da aguardada reunião do Comitê Central da China que começou no último fim de semana. Como discuto num novo livro, The Bric Road to Growth, a China tem um papel peculiar no grupo, não apenas por causa do seu tamanho, mas também por seu alcance e ambições econômicas globais. Não obstante, sua estratégia de desenvolvimento precisa ser corrigida. As notícias sugerem que o governo estuda novas medidas para criar uma economia mais voltada para o consumo, o que é realmente necessário se a China quiser reduzir sua dependência das exportações de produtos baratos e dos investimentos direcionados pelo Estado.

 

Será uma transição difícil de administrar, mas, segundo os padrões das economias emergentes, a liderança da China tem a tradição de uma clara filosofia sobre a estratégia econômica - sem falar num histórico de sucesso sem iguais. A revisão política coincide com a ascensão de novas figuras na área econômica que continuam sendo até mais eficientes do que o esperado. Este ano, a China deverá crescer provavelmente mais de 7,5%. Se conseguir, terá batido as minhas expectativas de crescimento desde o início da década, o único país do grupo Bric em condições de fazer isto.

 

Até o fim do ano, a produção anual da China superará os US$ 9 trilhões - quase 1,5 vez a produção dos outros três países do Bric juntos. Se seus líderes conseguirem implementar as reformas que estão sendo discutidas desde o fim de semana, o rápido crescimento do país poderá ser mantido. A economia global continuará se transformando, e as outras economias Bric e Mint terão um parâmetro ainda mais assustador para medir seu desempenho.

 

(Tradução Anna Capovilla)

 

Jim O'Neill, ex-presidente do Conselho da Goldman Sachs Asset Management, é colunista da Bloomberg View

Tudo o que sabemos sobre:
BricsMint

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.