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Brics cobram mais poder no FMI e Banco Mundial

Na Declaração de Délhi, emergentes condicionaram a injeção de mais recursos nas duas instituições ao aumento das suas cotas de participação

TÂNIA MONTEIRO, ENVIADA ESPECIAL / NOVA DÉLHI, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 03h10

Os Brics querem mais poder para os emergentes em troca de ajuda ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Mundial. No documento final do encontro do grupo, divulgado ontem, Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul condicionaram a injeção de mais dinheiro nessas instituições ao aumento das cotas de participação dos chamados países em desenvolvimento.

Na Declaração de Délhi, que contém 50 pontos, os países foram unânimes em pedir reformas no Bird e no FMI e alteração urgente no sistema de ambos, para garantir os interesses das nações mais pobres.

As duas instituições desempenham papel cada vez maior na recuperação da crise global, especialmente na ajuda a países europeus cujas economias seguem estranguladas por altas dívidas soberanas.

No documento divulgado ao final do encontro dos Brics, o grupo de países emergentes mais ricos do mundo apontou a "preocupação com a situação econômica global" e alertaram para a "instabilidade dos mercados, principalmente na zona do euro". Também demonstrou preocupação com o clima de incerteza que existe sobre o crescimento global, provocado por fortes ajustes fiscais nos países mais ricos e pelo crescimento da dívida pública na Europa.

Comércio. Os países pregaram, ainda, a necessidade de vencer barreiras que paralisam o comércio. Todos os países dos Brics estão sofrendo com redução do crescimento de suas economias nos últimos anos. Um discurso, no entanto, animou os demais presidentes que integram os Brics. O chinês Hu Jintao, mesmo ressalvando que existem muitos desafios pela frente, anunciou a disposição da China de manter um desenvolvimento sustentável e prometendo "crescimento forte".

A proposta de criação de um banco de desenvolvimento para financiar projetos de infraestrutura nos países dos Brics ficou mais na intenção. No documento final, os países criaram um grupo de trabalho para discutir a proposta, mas o desejo do presidente sul-africano Jacob Zuma de que o banco saísse do papel já no ano que vem tem remota chance de ocorrer. A instituição não deve sair antes de 2014.

A intenção do que poderia ser chamado de Banco dos Brics era oferecer financiamentos para estes países, em alternativa ao Banco Mundial e FMI, para suprir a limitação investimento que eles têm hoje.

Ao final da assinatura da declaração conjunta, os bancos de desenvolvimento de Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul, assinaram um acordo com definição das regras gerais para a concessão de linhas de crédito em moeda local, com objetivo de aumentar o comércio entre os países dos Brics.

Com isso, se a empresa de um país quiser investir em outro do grupo, o seu banco de desenvolvimento repassa o valor do investimento para o banco de fomento local, que empresta o dinheiro para a empresa tocar seu negócio, fazendo um negócio sem risco cambial, facilitando a internacionalização dos investimentos. A próxima reunião dos Brics será na Africa do Sul.

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