Brics mostram decepção com crescimento global

Brics mostram decepção com crescimento global

Emergentes cobram ação dos países ricos e negam responsabilidade sobre a falta de tração da economia

Fernando Nakagawa, enviado especial, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2014 | 18h01

 BRISBANE - As cinco maiores economias emergentes do mundo compartilham uma análise pouco otimista sobre a retomada do crescimento da economia global e mais uma vez cobram ação dos países ricos. Essa é mensagem dos Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e que se reuniu neste sábado antes da reunião de cúpula do G-20 em Brisbane.


Em comunicado, o grupo mostra certa decepção com o ritmo da economia global: “Seis anos depois do início da crise financeira internacional, os líderes observaram que uma recuperação forte e duradoura ainda está por se materializar.” 

Apesar de apontar para o problema, os Brics rejeitam responsabilidade sobre a falta de tração da economia ao afirmar que os países em desenvolvimento têm agido a favor da retomada. “Economias emergentes de mercado têm contribuído para a atividade econômica global ao manterem taxas de crescimento elevadas, a despeito de circunstâncias adversas e dos impactos das políticas das principais economias avançadas, sobretudo as monetárias.” 

A despeito do argumento do comunicado, Brasil e Rússia estão com a atividade praticamente estagnada. Além disso, projeções de mercado e de organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram desaceleração da China e África do Sul. Entre os Brics, só a Índia está em tendência de aceleração do crescimento.

Os Brics “ressaltaram que é preciso fazer mais para sustentar a demanda global no curto prazo, especialmente por parte das economias avançadas”. Uma das alternativas é “promover um incremento do investimento e do potencial de crescimento de longo prazo”, o que poderia ser alcançado com o aumento dos investimentos e adoção de reformas econômicas. 

Sobre as vulnerabilidades dos países emergentes, o comunicado dedica basicamente uma linha e traz uma avaliação positiva. “Economias emergentes de mercado permanecem, em geral, bem preparadas para enfrentar choques externos”, diz o comunicado. 

FMI. A reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) também foi tema de cobrança. “Os líderes reafirmaram seu desapontamento e grave preocupação com a não implementação das reformas do FMI de 2010 e seu impacto na legitimidade e credibilidade do Fundo”, diz o comunicado. Para os cinco emergentes, o atraso na reforma do FMI é “injustificado” e “está em contradição com os compromissos conjuntos assumidos pelos líderes do G-20 desde 2009”.

O principal responsável pelo atraso na reforma do FMI é Washington. Os EUA ainda não aprovaram a alteração das regras que dá mais poder aos países emergentes no Fundo. Por isso, os Brics cobram ação. “Na eventualidade de os Estados Unidos não lograrem ratificar as reformas de 2010 até o final do ano, os líderes exortaram o G-20 a agendar uma discussão sobre as opções quanto aos próximos passos.”

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