Brics não querem briga, diz chanceler russo

A Rússia e os demais países emergentes conhecidos pela sigla "Brics", criticados por potências ocidentais por estarem supostamente obstruindo ações a respeito da Síria e de outras questões, não estão a fim de briga, disse o chanceler russo na terça-feira.

LOUIS CHARBONNEAU, REUTERS

27 de setembro de 2011 | 19h43

Os Brics - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - resistem às tentativa do Conselho de Segurança da ONU para impor sanções à Síria devido à repressão contra os protestos pró-democracia nos últimos seis meses.

Mas, no discurso anual da Rússia à Assembleia Geral da ONU, o chanceler Sergei Lavrov negou que os cinco grandes emergentes estejam querendo armar confusão.

"Os Brics não visam o confronto com ninguém", disse ele. "Sua meta é melhorar a colaboração multilateral produtiva a fim de tratar dos problemas urgentes do mundo contemporâneo."

Por coincidência, os cinco Brics ocupam atualmente vagas no Conselho de Segurança, onde conseguem resistir às iniciativas dos EUA e da Europa para impor sanções à Síria. Dos cinco, só a Rússia e a China têm poder de veto.

Alguns diplomatas ocidentais se queixam de que os Brics têm cada vez mais favorecido políticas não intervencionistas em crises como as da Líbia, da Síria e de outros países.

Esses países, por exemplo, acusaram a Otan de extrapolar o limite do mandato da ONU na Líbia, embora a África do Sul inicialmente tenha votado a favor da resolução do Conselho de Segurança, em março, que autorizou operações da Otan para proteger civis na Líbia.

Lavrov repetiu as críticas dos Brics no seu discurso. "As tentativas de ir além do mandato do CS-ONU (Conselho de Segurança) são inaceitáveis, já que abalam sua autoridade e multiplicam o sofrimento de civis inocentes", afirmou.

"Quanto à Síria", prosseguiu, "é inadmissível boicotar propostas de diálogo nacional, alimentar o confronto e provocar a violência, mas negligenciando as reformas - embora tardias, ainda alcançáveis - propostas pelo presidente Bashar al Assad".

Potências ocidentais pretendem apresentar em breve ao Conselho uma proposta de resolução condenando Damasco e ameaçando a Síria com futuras ações caso a repressão não pare. Segundo diplomatas europeus, há a expectativa de que essa resolução seria mais palatável aos Brics.

Tudo o que sabemos sobre:
MACROBRICSBRIGA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.