Michael Klimentyev/EFE/Sputnik/Kremlin/Pool
Michael Klimentyev/EFE/Sputnik/Kremlin/Pool

Brics representarão mais da metade da expansão global até 2030, diz grupo

Presidentes salientaram que o crescimento mundial aparenta passar por estabilização com retomada moderada ainda este ano e ao longo de 2020

Célia Froufe e Beatriz Bulla, enviadas especiais a Osaka

28 de junho de 2019 | 02h41

OSAKA - No momento em que as equipes econômicas de todo o mundo voltam a sacar suas ferramentas para impulsionar o crescimento da atividade global, em marcha lenta, os Brics preveem que responderão por mais da metade da expansão do planeta até 2030.

A avaliação faz parte da declaração conjunta de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, cujos presidentes se reuniram nesta sexta-feira, 28, à margem da cúpula do grupo das 20 maiores economias do globo (G-20). No documento, os países também enaltecem a Organização Mundial do Comércio (OMC) em tempos de guerra comercial entre as duas maiores potências econômicas (EUA e China) e se comprometem com a "plena implementação do Acordo de Paris".

Assim como nas reuniões ministeriais do G-20, os Brics também salientaram que o crescimento mundial aparenta passar por estabilização com retomada moderada ainda este ano e ao longo de 2020. "No entanto, o fortalecimento do crescimento continua altamente incerto, com o aumento das tensões comerciais e geopolíticas, volatilidade dos preços das commodities, desigualdade, crescimento inclusivo insuficiente e condições financeiras mais rígidas incrementando o risco", citaram.

Os presidentes também salientaram que desequilíbrios globais continuam "amplos e persistentes" e requerem "monitoramento minucioso e respostas políticas tempestivas". "Enfatizamos a importância de um ambiente econômico global favorável ao crescimento sustentável do comércio internacional", trouxe a declaração do grupo do qual faz parte a China, um dos países diretamente ligados ao imbróglio com os Estados Unidos. Na véspera do encontro, o presidente Jair Bolsonaro disse a jornalistas no Japão que o Brasil não tem lado na disputa e que está buscando "harmonia", apesar de reconhecer que o País se beneficiou com a exportação de commodities no cenário de guerra comercial.

"Nesse cenário, notamos com satisfação que os países do Brics têm sido os principais motores do crescimento global na última década e atualmente representam cerca de um terço do produto global", enfatizaram os líderes do grupo.

Para o futuro, previram que reformas estruturais fortalecerão o potencial de crescimento. "A expansão equilibrada do comércio entre os membros do Brics contribuirá ainda mais para o fortalecimento dos fluxos de comércio internacional", estimaram.

O grupo também concedeu bastante espaço no documento para apoiar a OMC, que passa por um processo delicado e intrincado de reforma. Os cinco países afirmaram que o protecionismo e o unilateralismo são contrários ao espírito e às regras da OMC e reafirmaram o compromisso com o multilateralismo e o direito internacional.

Eles deram também "total apoio ao sistema multilateral de comércio baseado em regras, tendo a OMC como seu centro", num postura bem diferente a dos americanos. "É imperativo que a agenda de negociações da OMC seja equilibrada e discutida de maneira aberta, transparente e inclusiva." Eles também pediram que o processo de seleção do Órgão de Apelação da Organização seja iniciado "imediatamente".

Este ano, a presidência dos Brics caberá ao Brasil e a 11ª cúpula do grupo será realizada em novembro, em Brasília.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.