Brics vão criar fundo para socorro financeiro em caso de crise

Regras e montante total desse novo mecanismo devem ser concluídos até setembro

Denise Chrispim Marin, enviada especial,

18 de junho de 2012 | 18h59

SAN JOSÉ DE LOS CABOS - Os líderes dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) concordaram nesta segunda-feira, 18, com a criação de um Fundo Virtual de Reservas, para o socorro financeiro mútuo em situações de crise. As regras e o montante total desse novo mecanismo devem ser concluídos até a reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em 2013. Os cinco países emergentes igualmente reiteraram, hoje, seu aporte adicional de US$ 60 bilhões a US$ 70 bilhões para a "muralha" do FMI para proteger as economias do contágio da crise europeia.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, insistiu que o novo Fundo de Reservas não é uma antecipação dos Brics a um possível agravamento da crise econômica mundial e, mais especificamente, a possíveis desequilíbrios graves no balanço de pagamentos e a problemas de liquidez nas cinco economias emergentes nos próximos anos. Mas admitiu ser esse mecanismo "uma nova bala na agulha", a ser disparada em caso de problemas nesses países.

"Essa iniciativa vai no sentido do aumento da confiança, o elemento que se deteriorou nesta crise. Estabelecemos a solidariedade financeira entre nós (Brics)", afirmou. "É importante ter uma região dinâmica para ajudar a estimular as economias avançadas a fazer as reformas necessárias, a aumentar os seus investimentos e a crescer", completou Mantega.

O novo fundo seguirá o modelo da Iniciativa Chiang Mai, um mecanismo multilateral criado em 2000 para permitir a troca de moedas entre a China, o Japão, a Coreia do Sul e os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). Atualmente, a Iniciativa Chiang Mai dispõe de US$ 240 bilhões. Como explicou Mantega, não haverá aporte físico de recursos para o seu novo fundo, mas a definição das parcelas das reservas internacionais de cada sócio dos Brics que ficará disponível para possíveis trocas de moeda. Enquanto o fundo não entra em operação, os Brics poderão fazer trocas bilaterais de moedas, se necessário.

Os líderes dos Bric concordaram que a crise da zona do euro é uma ameaça ao sistema financeiro internacional e da estabilidade econômica que requer soluções cooperativas. A contribuição adicional de recursos dos cinco países para o FMI, para a construção de uma muralha de US$ 420 bilhões, continua atada a exigências. A primeira, segundo Mantega, de utilização desses recursos somente depois de esgotados os das atuais linhas de socorro do FMI. O segundo, que seja aprovada até outubro pelos Congressos dos países membros o projeto de reforma de governança do FMI e das suas cotas, que daria maior poder aos Brics nesse organismo.

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