Brics vão criar um fundo de reservas para combater crises

Mecanismo será 'uma nova bala na agulha' em caso de problemas nos países que formam o grupo, diz Mantega

SAN JOSÉ DE LOS CABOS / MÉXICO , O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h01

Os líderes do grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) concordaram ontem com a criação de um Fundo Virtual de Reservas, para o socorro financeiro mútuo em situações de crise. As regras e o montante total desse novo mecanismo devem ser concluídos até a reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em 2013, no Japão. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, os cinco países do Brics têm, juntos, reservas de US$ 4,5 trilhões, e parte delas pode ser usada para constituir esse fundo.

Os cinco países emergentes também reiteraram, ontem, seu aporte adicional de US$ 60 bilhões a US$ 70 bilhões para a "muralha" do FMI, com o objetivo de proteger as economias do contágio da crise europeia.

Mantega insistiu não ser o novo aporte de reservas uma antecipação do Brics a um possível agravamento da crise mundial e, mais especificamente, a possíveis desequilíbrios graves no balanço de pagamentos e a problemas de liquidez nas cinco economias emergentes nos próximos anos. Mas admitiu ser esse mecanismo "uma nova bala na agulha", a ser disparado em caso de problemas nesses países.

"Essa iniciativa vai no sentido do aumento da confiança, o elemento que se deteriorou nesta crise. Estabelecemos a solidariedade financeira entre nós (Brics)", afirmou. "É importante ter uma região dinâmica para ajudar a estimular as economias avançadas a fazer as reformas necessárias, a aumentar os seus investimentos e a crescer."

Modelo. O novo fundo seguirá o modelo da Iniciativa Chiang Mai, um mecanismo multilateral criado em 2000 para permitir a troca de moedas entre China, Japão, Coreia do Sul e países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). Atualmente, a Iniciativa Chiang Mai dispõe de US$ 240 bilhões.

Como explicou Mantega, não haverá aporte físico de recursos para o seu novo fundo, mas a definição das parcelas das reservas internacionais de cada sócio do Brics que ficará disponível para possíveis trocas de moeda. Enquanto o fundo não entra em operação, o Brics poderá fazer trocas bilaterais de moedas, se necessário.

Os líderes do Brics concordaram ontem ser a crise da zona do euro uma ameaça ao sistema financeiro internacional e da estabilidade econômica que requer soluções cooperativas. A contribuição adicional de recursos dos cinco países ao FMI, para a construção de uma muralha de US$ 420 bilhões, continua atada a exigências.

A primeira, segundo Mantega, de utilização desses recursos somente depois de esgotados os das atuais linhas de socorro do FMI. A segunda, que seja aprovada até outubro pelos Congressos dos países-membros o projeto de reforma de governança do FMI e das suas cotas, que daria maior poder aos Brics nesse organismo. / D.C.M.

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