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Briga à vista na TV paga

Como as empresas estão se preparando para a abertura do mercado de cabo para as teles

Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

A mudança nas regras para a TV paga no Brasil - prevista para sair do papel até meados de julho - promete acirrar a competição no setor. Caso seja aprovada, o mercado de TV a cabo será aberto para as operadoras de telefonia. Trata-se de um segmento cobiçado, que cresceu 30% no ano passado, na comparação com 2009. Além disso, o serviço ainda tem um baixo nível de penetração no País.

Confiantes na abertura do setor, as empresas de telefonia, que hoje só podem oferecer TV paga via satélite ou rádio, já começam a se preparar para operar via cabo. A mais agressiva é a Embratel, que tem feito investimentos pesados em uma rede de fibra óptica e cabo.

Controlada pelo grupo mexicano Telmex, a empresa cresceu 210% entre março de 2010 e 2011, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Com o Via Embratel, a companhia tem hoje 1,375 milhões de assinantes e abocanha 13,2% do mercado total de TV paga no Brasil.

Com entrada prevista no segmento de TV por assinatura no segundo semestre, a GVT é outra que também quer se adiantar. A empresa anunciou que irá adotar uma tecnologia híbrida, que permite atuar em DTH (satélite) e IPTV (transmissão de vídeo por meio da rede de banda larga). Com isso, abre uma brecha legal para atuar no segmento de cabo.

A Oi tem planos de investir em uma rede de ultra banda larga de até 100 Gigabytes, de olho na expansão que virá com a abertura do mercado. "Mas, se o cenário esperado não se confirmar, provavelmente parte do orçamento para o projeto será postergado", afirma Paulo Mattos, diretor de regulamentação da Oi.

O grupo cobra uma isonomia de condições entre as teles e as companhias de TV a cabo para acelerar investimentos no setor. Segundo o executivo, o Brasil é um dos poucos países do mundo onde as empresas de telefonia são excluídas do cabo. "Isso não pode continuar. Com isso, a Net cresceu protegida por uma reserva de mercado", afirma Mattos.Líder do setor, a Net detém participação de 41,5% do mercado total de TVs por assinatura. Já a Oi tinha 3,34% de participação no bolo total.

"Neurose". O presidente da Net, José Antônio Félix, contesta as reclamações das teles, alegando de que as empresas já participam do setor. "Acho que tem um pouco de neurose no discurso das teles, que já está se tornando repetitivo. De um determinado modo, esse discurso visa não esclarecer, mas sim confundir", afirma. Para o executivo, quando as teles afirmam que querem entrar no mercado de TV por assinatura, elas dão a impressão que estão fora da concorrência. "Elas estão no negócio há muito tempo."

Independente das discussões, o fato é que a abertura do mercado de cabo deve acirrar a guerra de preços no setor, na avaliação de Eduardo Tude, presidente da Teleco, consultoria especializada em telecomunicações. Para ele, a abertura é importante para dar mais competitividade às companhias.

"As teles não têm ganhos quando vendem TV por assinatura e banda larga em redes separadas", explica. Ele diz acreditar que, em abril, pela primeira vez no Brasil, o número de clientes de TV por assinatura via satélite deve ultrapassar os assinantes de TV a cabo. Isso porque, enquanto o Brasil não libera novas licenças de TV a cabo, o governo continua a conceder licenças via satélite. Em março, o número de clientes de cabo era praticamente igual ao de satélite.

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