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'Briga com Casino ficou para trás'

Abilio Diniz afirma não ter mágoa em relação à disputa e ainda defende fusão com o Carrefour

RODRIGO PETRY, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2011 | 03h08

O empresário Abilio Diniz, presidente do conselho de administração do Pão de Açúcar, aproveitou sua primeira aparição pública após a malsucedida tentativa de fusão da companhia com o Carrefour para demonstrar que os desentendimentos com Jean-Charles Naouri, presidente do grupo francês Casino, ficaram para trás.

"Não dá para esquecer o que aconteceu em junho, julho deste ano (quando a proposta de fusão foi apresentada publicamente), e ficar cultivando isso. Só quero lembrar dos 12 anos de felicidade que tivemos juntos", afirmou, sobre sua relação com o presidente do Casino, grupo com o qual divide o controle do Pão de Açúcar, durante palestra no CEO Summit, em São Paulo, organizado pela Ernst & Young e pela Endeavor.

O empresário aproveitou para destacar a importância dessa tentativa de fusão ao falar sobre a internacionalização das empresas brasileiras. "Se as empresas permanecerem no Brasil, a tendência é de que, num determinado tempo, fiquem para trás. A internacionalização é algo importante", afirmou. O próprio Pão de Açúcar teve operações em Portugal entre os anos 70 e início dos 90.

Segundo Diniz, seu "sonho" era colocar o Grupo Pão de Açúcar - que, combinado com o Carrefour e Casino, se transformaria na segunda maior cadeia varejista do mundo - na "caça" do Walmart, que é a primeira. "Como todos sabem, a coisa não foi pra frente. Era um grande plano? Era sensacional. Pode ser ainda? Talvez possa, mas é uma coisa imprevisível", afirmou.

Em rápida conversa com jornalistas após a palestra, Diniz ressaltou que não há nenhum plano B para retomar a proposta. Mas afirmou que "tudo é algo para ser construído, ser feito".

"Não há nada que eu possa dizer agora", disse. Ele ainda fez uma brincadeira em relação aos recentes atritos com Naouri: "Empresário não briga. Empresário tem de olhar os interesses da companhia e ser frio nas negociações. Briga é pela namorada", comentou, classificando seu encontro com Naouri, na última sexta-feira, em Paris, na França, como "ótimo".

Defesa. Diniz fez também autocrítica na condução da proposta de fusão com o Carrefour, sobretudo em relação à participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Isso deu muita margem à especulação. Ah, é amigo da Dilma", disse, ao citar o ingresso do BNDES na operação. Ele acrescentou que, após a saída do banco, o BTG captou US$ 1,7 bilhão em três dias com investidores estrangeiros.

O empresário afirmou ainda, em sua palestra, que esteve reunido recentemente com advogados para preparar sua defesa no processo na Câmara de Comércio Internacional (CCI), movido pelo grupo Casino. Questionado sobre o andamento do processo, evitou fazer comentários.

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