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Briga com indonésio trava plano de R$ 3 bi da Eldorado

O projeto de expansão de R$ 3 bilhões da fabricante de celulose do grupo J&F deve ficar na gaveta por um ou dois anos

Coluna do Broad, O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2019 | 05h00

O projeto de expansão de R$ 3 bilhões da fabricante de celulose Eldorado, do grupo J&F, deve ficar na gaveta por um ou dois anos, tempo que, conforme estimativas, deve durar a disputa arbitral da família Batista com a Paper Excellence (PE), do empresário indonésio Jackson Wijaya. Fica também atrasado o plano de alongamento no perfil da dívida da empresa. A fabricante de celulose tem gerado caixa mais do que suficiente para pagar suas dívidas de curto prazo, de R$ 2,2 bilhões, mas quer esticar R$ 1 bilhão desse passivo para sete anos com objetivo de obter o “grau de investimento”, uma classificação de risco dada pelas agências de rating às melhores empresas. Para isso, precisa tomar dinheiro novo no mercado para trocar a dívida. O resultado de 2018, considerado espetacular por analistas, manteve as portas dos bancos e mercado financeiro abertas. No entanto, os novos empréstimos têm sido ofertados a um custo elevado, embutindo a incerteza com o resultado da arbitragem entre sócios.

Azedou

A disputa envolve a conclusão de um contrato de venda de 100% da Eldorado para a PE, por R$ 15 bilhões, sendo R$ 7,5 bilhões representados por dívidas. Apenas metade do acordo foi cumprido, resultando no desembolso de R$ 3,8 bilhões pelo indonésio, que ficou com uma participação de 49,41% na empresa de celulose. A conclusão financeira do negócio ficou emperrada na liberação pela PE de R$ 8 bilhões em garantias dadas pela J&F nos empréstimos tomados para a construção da Eldorado, iniciada em 2012. 

Diz-que-diz

A PE acusa os Batista de não colaborar com os trâmites necessários para liberar as garantias, pré-requisito para que a PE fique com o restante da Eldorado. Já a família dona da J&F alega que o tempo passou e, nos 12 meses de vigência do acordo, a PE não conseguiu liberar as garantias junto aos bancos. Agora, os árbitros vão decidir quem está com a razão. No desfecho, a família Batista pode ter de conviver com a PE no quadro de acionistas da Eldorado. Ou o indonésio, eventualmente, enfrentará uma nova discussão sobre preço, já que a validade daquele contrato expirou. Procurados, a Eldorado, a J&F e a PE não comentaram.

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