JF DIORIO/ESTADAO
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Briga familiar agita casas de shows

Paulo Gião Amorim, sócio da Tom Brasil e da Vivo Rio, é alvo de processo da filha, que questiona a gestão financeira das empresas

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2019 | 04h00

Nos bastidores das casas de shows Tom Brasil e Vivo Rio, uma disputa societária virou o principal espetáculo. A produtora de moda Mayra Pasterik Amorim, 31 anos, entrou na Justiça contra seu pai, o empresário Paulo Gião Amorim, fundador das duas casas junto com Gladston Tedesco, questionando a gestão financeira das empresas dos grupos.

Embora Gião seja o dono de parte dos negócios, as empresas de sua família são administradas por seu filho, Thiago Amorim. Ela cortou relações com o irmão e coloca em xeque a gestão dele à frente das empresas.

Em maio passado, Mayra entrou na Justiça de São Paulo e do Rio com processos para exigir transparência sobre as contas de oito empresas que fazem parte das casas de espetáculo Tom Brasil, controlada desde 2016 por Tedesco, e Vivo Rio, nas mãos de Gião. Ela quer acesso aos dados financeiros. Essa decisão, diz ela, ocorreu depois de várias tentativas de acordos com o irmão e o sócio do pai.

Em 2010, Gião e Tedesco, que tinham 50% de participação cada um, transferiram 5% de seus negócios para seus filhos. Gião passou 2,5% para Thiago e outros 2,5% para Mayra. Tedesco repassou 5% ao seu filho Christian. Foi um primeiro passo para fazer a sucessão familiar.

À época, Thiago passou a cuidar dos negócios do pai, que já estava afastado das empresas. Os dois empresários também tinham juntos outros seis negócios que prestam serviço para as casas de shows, como serviços de bufê. Chegaram a ser donos do Tom Jazz, que fechou.

Mayra disse que, até 2013, o irmão repassava R$ 30 mil por mês, mas desde 2016 não tem recebido praticamente nada. Ela disse que nunca quis participar dos negócios da família.

Separação dos sócios

No início de 2016, Gião e Tedesco deram início à separação de seus negócios por meio de permuta de ações. Pelo acordo entre eles, Tedesco ficou com a Tom Brasil e, Gião, com a Vivo Rio. À época, com exceção de Mayra, os outros filhos entregaram as ações para permuta. Mayra ficou com seus 2,5% nas oito empresas. Em maio de 2016, ela entrou com um processo de interdição contra seu pai, alegando que ele estava doente. O processo corre em segredo de Justiça.

Segundo Mayra, quando ela começou a questionar as contas das empresas, tentar entender as participações que tinha em cada negócio  e a pedir os dividendos, seu irmão cortou relações e levou seu pai, que morava em São Paulo, para o Rio. “Meu pai entende que as medidas judiciais são para questionar a gestão de Thiago”, diz ela.

O Estado teve acesso ao áudio de uma conversa entre Mayra e Gião. Nele, o pai reclama que Thiago não o visitava com frequência – e que ele esperava o filho aparecer para pedir dinheiro para pagar as despesas de Mayra com dentista.

Procurada pela reportagem, a defesa de Tedesco  afirmou: “Mayra notificou, em 2016, as sociedades sediadas em São Paulo, exercendo o seu direito de retirada das empresas e deixando, por iniciativa própria, o quadro societário”.

Desde então, o grupo aguarda o encerramento “da fase de apuração de haveres, tendo sido apresentados todos os documentos dentro dos prazos”. A defesa de Tedesco não comenta sobre o processo de interdição.

Marcelo Fortes, do Escritório Fortes & Prado Advogados, que representa Mayra, afirmou ao Estado que a dissolução das ações alegadas pela defesa de Tedesco não foram consumadas. Portanto, não são válidas. “Minha cliente busca a transparência dos negócios, a prestação de contas dessas empresas e o acesso aos dados financeiros”. Fortes também não comenta a interdição.

O Escritório Fábregas & Guimarães, que representa Thiago e Gião, também não comenta a interdição e afirmou que as partes ainda não foram citadas nos processos judiciais. Disse também que deverão constituir advogados para conduzir o processo de prestação de contas.

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