Briga milionária separa Petropar do Itaú BBA

Pesada e lenta como um elefante, a Justiça brasileira arrasta há mais de dez anos uma disputa milionária entre o banco BBA (hoje parte do Itaú Unibanco) e a Petropar, empresa petroquímica sediada no Rio Grande do Sul. É mais um daqueles esqueletos do Plano Real. Em 1993, no tempo dos pacotes econômicos contra a inflação, a Petropar procurou o banco, então controlado pelo ex-presidente do Banco Central Fernão Bracher e fez contratos de "hedge" para se prevenir contra a volatilidade do câmbio. Um ano depois veio o Real, a moeda brasileira se valorizou frente ao dólar, e a Petropar resolveu liquidar sua posição.

Clayton Netz, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2010 | 00h00

No dia do acerto de contas, o BBA entregou à petroquímica R$ 4 milhões - R$ 15 milhões a menos do que a Petropar esperava que pingasse na sua conta bancária. A razão de tamanha diferença é o índice de correção que cada parte resolveu adotar. A Petropar usou o IGP-M, índice previsto nos contratos. O BBA, por sua vez, adotou o IGP-2, alegando que seguia as mudanças de regras que empacotaram o Plano Real. Em 1999, depois de cinco anos tentando um acordo, a Petropar recorreu à Justiça. Os R$ 15 milhões se transformaram, na última vez em que o número foi atualizado, em 2007, em mais de R$ 200 milhões, dinheiro para ninguém botar defeito.

A Petropar ganhou em primeira e segunda instâncias, mas o caso está congelado por uma liminar à espera de julgamento no Supremo Tribunal Federal. "Caindo a liminar do STF, o banco vai ter que cumprir a decisão", afirmou o advogado Alfredo Lazzareschi Neto, que defende a Petropar, ao repórter David Friedlander. Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, o Itaú BBA não quis se manifestar.

Cerca de um mês atrás, Bracher decidiu interferir na disputa. Longe do dia a dia do banco desde o ano passado, ele procurou os irmãos Wilson e William Ling, maiores acionistas da Petropar, e os convidou para uma conversa em São Paulo. O banqueiro paulista conhece os Ling desde que era bancário. Bracher foi gerente de uma agência do falecido Banco da Bahia, instalada no mesmo edifício que abrigava o escritório do pai de Wilson e William, no centro de Porto Alegre. "Eles se conheciam há muito tempo, por isso o BBA fazia muitos serviços para a Petropar", diz Lazzareschi .

Na reunião de São Paulo, da qual participou também o banqueiro Cândido Bracher, filho de Fernão, ficou tudo como estava. "Eles (os Bracher) propuseram esquecer a questão jurídica e fazer um acerto", disse Wilson Ling, um dos herdeiros da Petropar. "O acordo que ofereceram, no entanto, não nos interessou e decidimos continuar com o processo na Justiça".

US$2,2 bi foi a receita de exportações brasileiras de celulose e papel no primeiro quadrimestre deste ano. Segundo a Bracelpa, isso representa um aumento de 39,5%, em relação ao mesmo período de 2009

TRANSPARÊNCIA

Para que servem os auditores ?

De acordo com um levantamento feito pela firma de auditoria e consultoria americana Crowe Horwath RCS, o Brasil é um dos países com a menor taxa de auditores por habitante, na comparação com outros 20 países desenvolvidos e em desenvolvimento na América e Europa. No País, a relação é de um auditor para cada 24.600 habitantes, quase o dobro do da Argentina e 27 vezes superior ao da Holanda. " A pesquisa atesta a falta de uma cultura preventiva de gestão empresarial, capaz de comprometer seriamente a busca das companhias por mais transparência em suas atividades'', afirma Raul Corrêa da Silva, presidente da Crowe Horwath RCS brasileira.

Tudo muito bem, tudo muito bom. Mas há uma pergunta que não quer calar: serão os auditores tão necessários assim como guardiães da transparência corporativa? Nunca é demais lembrar que, nos Estados Unidos, a relação auditor/população é de apenas 2 300. No entanto, o batalhão de profissionais existente foi incapaz de prevenir escândalos como os da Enron, Arthur Andersen, Lehman Brothers e WorldCom,entre outros.

INVESTIMENTO

Tomé fecha contrato de R$ 350 milhões com CSN

Os investimentos programados de US$ 2,2 bilhões até 2013 pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), na ampliação do Porto de Sepetiba, no Rio Janeiro, estão ajudando a turbinar o caixa de outras empresas. Uma delas é a Tomé Engenharia, do empresário paulista Laercio Tomé, que acaba de fechar um contrato de R$ 350 milhões para fornecer equipamentos destinados à ampliação da área de embarque de minério de ferro da CSN.

Além do acordo com a CSN, o Grupo Tomé participa da reforma de duas refinarias da Petrobrás no Nordeste, no valor de R$ 1,5 bilhão. Graças aos novos negócios, a estimativa da empresa é encerrar 2010 com faturamento superior a R$ 800 milhões, contra R$ 450 milhões no ano passado. Além disso, a Tomé está de olho em novos projetos na África e na Venezuela.

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